Governo espanhol retira embaixadora de Israel

Embaixadora Ana Maria Sálomon Perez deixa Tel Aviv após Pedro Sanchez encerrar atividades da embaixada espanhola em Israel (Javier Liaño/EFE)

Função da embaixada de Espanha é reduzida a escritório de negócios em protesto contra o massacre perpetrado pelo governo israelense em Gaza e a participação de Israel na agressão ao Irã, ferindo todas as leis de direito e normas de convivência internacionais

O governo da Espanha anunciou por com base na proposta do Ministério das Relações Exteriores, o encerramento do mandato de Ana Maria Sálomon Perez como embaixadora da Espanha no Estado de Israel, em meio à escalada da ação militar da coalizão genocida israelense-norte-americana contra o Irã.

A decisão relativa a reduzir sua representação diplomática em Israel foi publicada no Diário Oficial do Estado, onde se especifica que a única representação espanhola em Tel Aviv – a partir desta terça-feira (10) – será a de um encarregado de negócios.

A Espanha tem sido um dos países mais críticos da agressão israelense na Faixa de Gaza, um conflito que já dura mais de dois anos e que o governo do presidente Pedro Sánchez tem repetidamente denunciado como genocídio e pedido a aplicação de sanções contra Tel Aviv.

Além disso, foi um dos primeiros países a reconhecer a Palestina como um Estado, em maio de 2024. Desde então, as relações com Israel têm sido muito tensas e marcadas por diversos confrontos diplomáticos.

A ESPANHA SE RECUSA A PARTICIPAR DA GUERRA CONTRA O IRÃ

Já o conflito com os Estados Unidos se intensificou depois que a Espanha se recusou a permitir o uso de seu território para as operações militares contra o Irã iniciadas em 28 de fevereiro, reafirmando sua posição de distanciamento da estratégia militar de Washington e Tel Aviv. Decisão que provocou uma reação de Donald Trump, que declarou: “Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos mais nada com a Espanha.”

No início do mês, o presidente espanhol assegurou que “não seremos cúmplices de algo mau para o mundo por medo a represálias” que partam do governo dos Estados Unidos.

De forma clara, repudiou as críticas de Trump sobre a sua postura de não autorizar o uso das bases militares espanholas e citou lembranças sangrentas da guerra do Iraque, para a qual a Espanha foi “arrastada” por administração estadunidense anterior.

Naquela oportunidade, pautou, sob o argumento mentiroso de que visava eliminar as armas de destruição em massa, trazer a democracia e garantir a segurança global. “Produziu o efeito contrário, desencadeou a maior onda de insegurança que o nosso continente sofreu desde a queda do Muro de Berlim”, sublinhou.

“Três palavras: não à guerra”. Com essa consigna, Pedro Sánchez resumiu seu discurso da semana passada no Palácio de Moncloa, no qual analisou a intervenção militar dos EUA no Irã, alertando: “É assim que começam os grandes desastres da humanidade… O mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas”.

“Espanha está com os princípios fundadores da União Europeia, está com a Carta das Nações Unidas, está com o Direito Internacional e está com a paz e a existência pacífica entre os países e a sua coexistência”, concluiu Pedro Sánchez.

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