Governo federal e CNI anunciam R$ 3,3 bilhões para iniciativas de reindustrialização do Brasil

MInistra Luciana Santos, o presidente do Finep, Luiz Antônio Elias e o presidente da CNI, Ricardo Alban - Foto: MCTI

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram a segunda rodada de seleção pública de ações para o Programa Mais Inovação. A medida foi lançada durante a Reunião Extraordinária do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), sediada na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.

Serão 13 editais e uma chamada para o Programa Conhecimento Brasil que, juntos, somam R$ 3,3 bilhões de investimentos em iniciativas para promover a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e diminuição da dependência externa, com geração de empregos e renda. 

“Este governo tem um compromisso inegociável com a inovação, com a igualdade de oportunidades entre as diferentes realidades do nosso Brasil continental, com o fortalecimento da indústria nacional e com a soberania que eleva o País a patamares superiores frente ao mundo. Temos a vocação de impulsionar a produção nacional e seguiremos essa receita que tem gerado frutos substanciais para o desenvolvimento da nossa capacidade produtiva e tecnológica”, afirmou a ministra Luciana Santos.  

“Do início da nossa gestão até o fim de 2025, o MCTI, por meio da Finep, investiu R$ 44,3 bilhões, incluindo contrapartidas, em projetos ligados à Nova Indústria Brasil. Agora, anunciamos um novo pacote de cerca de R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis para apoiar a inovação e o crescimento sustentável do país”, destacou a ministra.

Durante a reunião, o presidente da CNI, Ricardo Alban, comentou sobre o atual debate do fim da jornada de trabalho 6×1. Alban disse que a CNI considera legítima a discussão, mas alertou que tal mudança pode reduzir a competitividade da indústria brasileira. “Precisamos ter cautela no debate, buscar alternativas que olhem para o setor produtivo, para a realidade regional e não prejudique empregos e garanta segurança jurídica”, destacou.

A ministra Luciana Santos disse que o governo do presidente Lula está aberto ao diálogo e atuando em todas as áreas para ouvir setores e atores estratégicos com o intuito de buscar o melhor caminho para a construção de um diálogo sobre o tema.

NOVA INDÚSTRIA BRASIL

Podem participar empresas brasileiras de todos os portes que tenham propostas de desenvolvimento tecnológico alinhadas às linhas temáticas definidas para os seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil (NIB). São eles: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional.

Os itens financiáveis são gastos de pessoal, serviços de consultoria, equipamentos e material de consumo. O anúncio do lançamento dos editais foi feito durante a reunião presencial do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), em São Paulo (SP). 

Essas chamadas buscam apoiar projetos de elevado grau de inovação, risco tecnológico e relevância econômico-social para o País, com foco em desafios tecnológicos considerados prioritários pela NIB, a exemplo de tecnologias para insumos farmacêuticos, fertilizantes, inteligência artificial, baterias, transição energética e minerais críticos. 

Para submissão de propostas, é requisito obrigatório que as empresas tenham parceria com Instituições Cientificas e Tecnológicas (ICTs). O objetivo é estimular a mobilização do sistema de inovação nacional que promove a integração entre atores, facilitar a transferência de tecnologia, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio da geração e difusão de conhecimento. 

“O propósito desta rodada de oferta de recursos de subvenção econômica às empresas é contribuir para fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer a competitividade nacional, de forma que a política pública da NIB alcance os resultados esperados”, disse o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias. 

No ciclo anterior (2024/2025), o MCTI e a Finep lançaram 13 editais de subvenção econômica, com R$ 2,5 bilhões em recursos não reembolsáveis para impulsionar projetos inovadores e de alto risco tecnológico.

“Foram mais de 200 projetos contratados em todo o País, que estão gerando soluções promissoras que fortalecem a competitividade nacional e aceleram a transformação tecnológica”, contou o presidente da Finep.

Os projetos envolveram ainda mais de 400 empresas parceiras, cerca de 2,8 mil pesquisadores — dos quais mais de 900 eram mestres ou doutores — e mais de 140 instituições científicas e tecnológicas. 

Os setores de Cadeias Agroindustriais; Saúde; Tecnologias Digitais; Base Industrial de Defesa, e a Chamada Regional receberão R$ 300 milhões cada de subvenção econômica da Finep; o setor de Transformação Mineral receberá subvenção de R$ 200 milhões; Economia Circular e Cidades Sustentáveis, R$ 150 milhões; Mobilidade Sustentável, R$ 120 milhões; Semicondutores, R$ 100 milhões e Desafios Tecnológicos, R$ 210 milhões (sendo R$ 60 milhões em um edital para desenvolvimento de Trator para Agricultura Familiar e outro de R$ 150 milhões para o Eletrolisador Nacional). Já o setor de Transição Energética receberá a maior parte dos recursos: R$ 500 milhões.

REPATRIAÇÃO DE CIENTISTAS

Durante o evento, a ministra também anunciou a abertura de uma nova rodada da seleção pública Conhecimento Brasil, que passa a contemplar não apenas a repatriação, mas também a fixação e a atração de pesquisadores de excelência no País.

A iniciativa da Finep reforça o compromisso com a valorização do capital humano e a consolidação da base científica nacional. O novo edital disponibilizará R$ 500 milhões para impulsionar a geração de conhecimento e inovação.  

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