Grupo Pão de Açúcar faz acordo para plano de recuperação extrajudicial

(Pão de Açúcar/ Divulgação)

Dívida do grupo GPA é estimada em R$ 4,5 bilhões

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) entrou, nesta terça-feira (10), com pedido de homologação na Justiça de plano de Recuperação Extrajudicial, tendo em vista a situação financeira da companhia com um endividamento de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

As dívidas com vencimento em 2026 totalizam cerca de R$ 1,7 bilhões e o caixa da empresa no final do ano passado era de um capital de giro negativo de cerca de R$ 1,2 bilhão, resultado de empréstimos e títulos de dívida, conforme nota divulgada pela companhia.

A iniciativa tem como objetivo reorganizar as finanças da companhia à parte de uma Recuperação Judicial que envolve necessariamente todos os credores e ocorre na Justiça tradicional.

Com a recuperação extrajudicial, o empresário negocia diretamente com os credores, sem a intervenção do judiciário

O acordo de recuperação anunciada foi costurada diretamente com credores, principalmente bancos, maiores detentores da dívida. O plano foi protocolado com apoio de credores que representam 46% do total da dívida anunciada.

Com a homologação a empresa terá 90 dias de suspensão das execuções e ampliar a adesão ao acordo para chegar a uma solução final para sua estrutura de capital. O plano passa a vincular todos os credores abrangidos.

A divulgação do Balanço do GPA encerrado em 31.12.2025, ocorrido no final de fevereiro, já mencionava sérias dificuldades do grupo: “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, ou seja, uma possibilidade real de falência.

Os juros exorbitantes combinados com um alto endividamento transformou o custo da rolagem das dívidas bancárias insustentáveis. O mesmo fator que esteve presente na grande maioria das recuperações judiciais em 2025.

Ao final de 2025, dados da Serasa somam 5680 RJs, empresas em processo de recuperação judicial. Um aumento de cerca de 24% a 25% em relação ao total de 2024.

Queda na demanda, custos com mudanças internas de gestão e pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas estão entre outros fatores que levaram a empresa a buscar a Recuperação Extrajudicial.

Pagamentos a fornecedores e dívidas trabalhistas ficaram fora da renegociação apresentada à Justiça. O GPA garantiu que as 728 lojas da rede seguirão operando normalmente. Desse total, 187 são da bandeira Pão de Açúcar, 164 do Extra Mercado, 155 do Mini Extra e 221 do Minuto Pão de Açúcar.

A empresa afirmou que suas operações seguirão normalmente e que está em dia com pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. O objetivo da reestruturação é preservar a operação do negócio enquanto as negociações com credores avançam.

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