No esforço para reverter o rechaço, dentro dos próprios EUA, à guerra do eixo Trump-Netanyahu ao Irã, e numa exaltação aos crimes de guerra, o perfil oficial da Casa Branca “gamificou” na quarta-feira (4) a agressão, usando imagens de bombardeios realizados contra o Irã nos últimos dias, num plágio de “Call of Duty”.
A montagem começa com imagens de um videogame na qual um soldado ativa um ataque aéreo em um tablet e em seguida aparecem vários clipes de bombardeios no Irã. A cada novo alvo atingido, um sinal de “+100” aparece na tela, igual à pontuação atribuída a mortes no jogo de videogame chamado “Call of Duty”.
Ao longo do vídeo, é possível ouvir ao fundo uma música “hypada” tocando e frases retiradas do jogo de tiro, como “estamos vencendo esta guerra” e “tomamos o controle”.
A notícia não esclarece qual o score para a chacina na escola de meninas em uma pequena cidade ou para o ataque ao Hospital Gandhi e outras 12 instalações médicas.
Supostamente o vídeo teria tido 39 milhões de visualizações no perfil da Casa Branca na rede social X e provocou críticas sobre o uso de contas oficiais para publicações que mereceriam um capítulo caso seja feita uma atualização da jurisprudência de Nuremberg – aquela que diz que a guerra de agressão é o crime que engloba os demais.
O secretário de Guerra dos EUA, o débil mental tatuado com suásticas ‘medievais’, Pete Hegseth, deu declarações no dia do lançamento da criminosa montagem, dizendo numa coletiva que o país “está batendo no Irã enquanto eles estão caídos, como deveria ser”.
“Esta não é uma guerra justa, e nem era para ser. Estamos batendo neles enquanto eles estão caídos, exatamente como deveria ser. (…) A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. (…) Eles estão acabados e sabem disso”, afirmou Hegseth.
Para quem apanhou na Coreia, no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, é muita arrogância. Aliás, o economista e consultor da ONU Jeffrey Sachs disse, sobre a agressão não provocada ao Irã e à revelia da lei internacional e da Carta da ONU, que os EUA estavam “embriagados de arrogância”.
Segundo Hegseth, a quantidade de armamentos disparados contra o Irã já é o dobro do utilizado contra o Iraque na guerra de 2003. “Vamos continuar atacando o Irã até decidirmos que está bom, e o regime iraniano não poderá fazer nada sobre isso”, afirmou.
Parece muito com uma declaração do então guru de W. Bush, Karl Rove, logo após a invasão do Iraque: “Agora somos um império, e quando agimos, criamos a nossa própria realidade. E enquanto vocês estão estudando essa realidade – com juízo, como farão – nós vamos agir de novo, criando outras realidades novas, que vocês também podem estudar, e é assim que as coisas vão se resolver. Somos os atores da história… e vocês, todos vocês, vão ficar só a estudar o que nós fazemos.”
E, completando a insanidade, prometeu mudar o regime no Irã desde os ares. “Nossos jatos e bombardeiros poderão voar o dia e a noite inteiros bombardeando os mísseis, a indústria militar e os líderes iranianos. (…) Os líderes iranianos e a Guarda Revolucionária vão olhar para os céus e ver apenas a nossa força militar todo dia, até decidirmos que acabou”, disse.
Logo após a agressão traiçoeira do regime Trump ao Irã, atacando em meio a negociações, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual vice do Conselho de Segurança Nacional russo, observou que “o grupo de pacificadores está de volta em ação.”
“As conversas com o Irã foram apenas um disfarce. Todos sabiam disso. Então, quem tem mais paciência para esperar o triste fim do inimigo agora? Os Estados Unidos têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2.500 anos. Vamos ver o que acontece daqui a uns 100 anos”.
Como se viu na Coreia, no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, não precisou esperar tanto.











