“Dinheiro público não pode ser saqueado impunemente”. Senadora do PDT afirma que compra de “papéis podres” causou prejuízo de, ao menos, R$ 2,5 bilhões ao BRB, banco público do DF
A senadora Leila Barros (PDT-DF) endureceu o tom contra as operações financeiras realizadas entre o BRB (Banco de Brasília) e o Banco Master.
Ela classifica o caso como rombo bilionário provocado não por erro técnico, mas por decisão política consciente, que teria contado com insistência e atuação direta do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Em publicação nas redes digitais, a parlamentar afirma que alertou reiteradamente para os riscos do negócio e sustenta que os fatos agora revelados confirmam a gravidade da operação, que teria resultado em prejuízos de pelo menos R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos do DF.
As investigações apontam que o prejuízo do BRB pode ser maior, porque títulos no valor de R$ 5 bilhões que o Banco Master repassou ao BRB não têm liquidez.
“Desde o início, sempre alertei que as operações entre o BRB e o Banco Master representavam um risco grave para o Banco de Brasília. Os fatos agora escancaram a gravidade do que foi feito”, escreveu Leila no X.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões em títulos fraudados pelo Banco Master. Segundo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o banco Master, de Daniel Vorcaro, substituiu esses títulos por outros ativos em cerca de R$ 10 bilhões. Mas não conseguiu reaver R$ 2,5 bilhões.
ATIVOS DE ALTO RISCO E DANO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO
Segundo a senadora, o BRB adquiriu ativos de baixíssima qualidade, na realidade, falsos, descritos por ela como “papéis podres”, vinculados ao Banco Master, operação que acabou comprometendo a saúde financeira da instituição pública controlada pelo GDF (Governo do Distrito Federal).
“Já são ao menos R$ 2,5 bilhões perdidos na compra de papéis podres — uma operação marcada por fraude e crime contra o sistema financeiro”, escreveu a senadora.
Leila destaca que o prejuízo não é abstrato: trata-se de dinheiro público, pertencente à população do DF, investido de forma temerária em negócio que não atendia aos critérios mínimos de segurança bancária.
PAPEL DE IBANEIS: PRESSÃO POLÍTICA E INTERFERÊNCIA
Um dos pontos mais graves levantados pela senadora é a atuação direta do governador Ibaneis Rocha para que a operação fosse adiante, mesmo diante de alertas técnicos e políticos sobre os riscos envolvidos na operação.
De acordo com Leila, a negociação para compra do Master teve andamento por pressão do chefe do Executivo do DF, que teria tratado o negócio como prioridade política.
“Não se trata de erro de gestão. O que houve foi um rombo bilionário, marcado pela insistência do governador Ibaneis para que a operação avançasse”, acrescentou a senadora.
O BRB é uma instituição financeira controlada pelo GDF, e a composição da diretoria da instituição financeira e de seus conselhos passa diretamente pelo Palácio do Buriti, o que, segundo a parlamentar, torna inevitável a responsabilidade política do governador sobre decisões estratégicas dessa magnitude.
INDÍCIOS DE FRAUDE E CRIME FINANCEIRO
Leila Barros afirma que o caso extrapola a esfera administrativa e deve ser tratado como escândalo financeiro, com possíveis enquadramentos criminais.
“Estamos falando de fraude, crime contra o sistema financeiro e prejuízo bilionário. Isso exige investigação profunda e punições exemplares”, ressaltou.
Para a senadora, a insistência do governo em sustentar o negócio, mesmo após alertas e sinais de risco, reforça a tese de que não houve simples negligência, mas conivência ou dolo político.
COBRANÇA POR INVESTIGAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO
A parlamentar defende a atuação rigorosa dos órgãos de controle, além da responsabilização política do governador e de dirigentes envolvidos na operação.
“Dinheiro público não pode ser saqueado impunemente. Esse rombo não pode ser varrido para debaixo do tapete. Responsabilização exemplar é o mínimo”, concluiu Leila.
O caso amplia a pressão sobre o governo Ibaneis Rocha e sobre a gestão do BRB, e reacende ainda o debate sobre governança, interferência política em bancos públicos e uso temerário de recursos do Estado, com potencial de se tornar um dos principais focos de desgaste político do Palácio do Buriti.











