Renee Nicole Good, de 37 anos, mãe de três filhos e cidadã americana.
Moradores da cidade de Minneapolis, Minnesota, nos Estados Unidos, saíram às ruas um dia depois de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA ter assassinado a tiros uma mãe de três filhos, de 37 anos, em um incidente que gerou condenação imediata de autoridades municipais e estaduais, que culparam a intensificação da perseguição aos imigrantes por Donald Trump e por semear o caos nas ruas da cidade.
Na manhã desta quinta-feira(8), cerca de mil pessoas se reuniram em um prédio federal que abriga um tribunal de imigração, bradando “vergonha” e “assassinato” contra agentes federais armados e mascarados, alguns dos quais usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os manifestantes.
As informações são do Minnesota Star Tribune e The New York Times, confirmam que outros locais do país também realizaram protestos.
A mulher assassinada, Renee Nicole Good, cidadã americana, era poetisa e cresceu em Colorado Springs. Renne foi homenageada em 2020 pela Academia de Poetas Americanos da Universidade Old Dominion em Norfolk, Virgínia.
Moradores que testemunharam a cena disseram que os agentes estavam ordenando que a mulher saísse do veículo. Vídeos postados em redes sociais mostram o crime de vários ângulos. Os agentes se aproximam pela lateral do veículo, ordenam que ela saia do carro e tentam abrir a porta da motorista. Ela então acelera e tenta sair com o carro, quando outro agente dispara tiros à queima-roupa.
ASSASSINATO DE GEORGE FLOYD EM 2020
O ataque enfureceu as pessoas presentes, que chamaram os agentes de “criminosos” enquanto filmavam o tiroteio. Vários deles pareceram correr em direção à mulher no veículo; no entanto, os agentes do ICE ordenaram que se afastassem. Quando se recusaram, os agentes usaram agentes químicos irritantes, semelhantes a spray de pimenta. Algumas pessoas atiraram bolas de neve nos veículos federais.
A morte de Renee Nicole Good chocou a cidade que, em 2020, a menos de um quilômetro e meio de distância dali, sofreu a assistiu o assassinato do homem negro George Floyd que teve seu pescoço apertado pelo joelho por um policial branco durante vários minutos até matá-lo, enquanto ele dizia que não estava conseguindo respirar, o que provocou enormes manifestações de repúdio durante dias nas principais cidades dos EUA e em todo o mundo.
A mãe da mulher assassinada disse ao Minnesota Star Tribune que sua filha “não fazia parte de nada” que envolvesse desafiar os agentes do ICE.
Várias lideranças estaduais disseram que ela estava no local de uma operação do ICE no sul de Minneapolis como observadora legal — uma voluntária que monitora as forças policiais e de segurança em protestos e operações. O objetivo deles é ajudar a manter a calma, deter condutas impróprias e garantir que os direitos legais sejam respeitados.
No entanto, o governo Trump a chamou de “terrorista doméstica”.
“A EXPLICAÇÃO DE TRUMP É PURA MANIPULAÇÃO”
A ex-vice-presidente dos Estados Unidos, a democrata Kamala Harris classificou o episódio como “chocante”, em postagem nas redes sociais, e criticou o argumento defendido pela Casa Branca.
“Muitos de nós vimos o vídeo horrível e doloroso, que deixa claro que a explicação do governo Trump sobre esse tiroteio é pura manipulação. Uma investigação completa e justa em nível estadual é absolutamente necessária”, escreveu Kamala.
Na terça-feira (6), o Departamento de Segurança Nacional havia dado início a uma grande ofensiva contra imigrantes na região, enviando cerca de 2 mil agentes e oficiais para a operação.
O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma e disse que a “imprudência do governo Trump custou a vida de alguém”.
Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, lamentou a morte da mulher de 37 anos. “À família: sinto muito!”, disse Frey, contestando a versão do Departamento de Segurança Nacional de que ela teria tentado atropelar os agentes.
“Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade”, afirmou. “Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados”, concluiu.











