“Inaceitável” o sequestro de Maduro, cujo destino deve ser decidido pelos venezuelanos, afirma Lula

Presidente Lula defendeu a soberania dos povos (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

Presidente brasileiro defendeu a soberania do país latino e reafirmou sua indignação com a agressão perpetrada pelo governo neofacista de Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida à TV Índia Today, nesta sexta-feira (20), afirmou que o sequestro e a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo neofacista de Donald Trump, dos EUA, é “inaceitável”.

Lula defendeu que eventual julgamento sobre Maduro deve ser conduzido pela Justiça venezuelana e não pela dos EUA.

“Isso é inaceitável. Não há explicação para isso. E acredito que, se o Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser em seu país, não no exterior”, afirmou o titular do Planalto em entrevista à TV indiana Índia Today. “É inaceitável a interferência de uma nação sobre outra”, afirmou Lula, reforçando a defesa da soberania das nações.

Segundo o presidente brasileiro, cabe ao povo venezuelano decidir sobre o processo democrático naquele país.

Desde a captura ilegal promovida pela Casa Branca, Lula tem sido um crítico das ações do governo Trump que ameaçam e agridem a soberania de outros países. Em Salvador, no mês passado, chegou a afirmar que fica “toda noite indignado” com o episódio.

“Eu, sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Os caras entraram à noite na Venezuela, vão no forte, um quartel onde mora o Maduro e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora”, disse.

O presidente questionou a “falta de respeito à integridade territorial” da Venezuela e defendeu que esse tipo de ação não condiz com a realidade da América do Sul — que, segundo ele, é uma “zona de paz”.

Em 3 de janeiro, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram, literalmente, sequestrados pelo governo Trump durante uma operação militar em Caracas, capital venezuelana.

Algo muito parecido com as operações ilegais que os EUA promoveram no início dos anos 2000 no Iraque e na Líbia, nações que tiveram seus territórios invadidos pelas tropas ianques e seus presidentes assassinados. O pretexto, à época, foi a existência, nunca comprovada, de armas e artefatos químicos de destruição em massa, quando, na verdade, as invasões foram promovidas pela cobiça no petróleo da região.

Agora, na Venezuela, o pretexto é outro: crimes relacionados ao narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Até o momento, o governo dos EUA não apresentou nenhuma prova contra Maduro e sua esposa quanto a essas falaciosas acusações.

Inicialmente, a acusação consistiria no fato de Maduro liderar, por mais de 2 décadas, o Cartel de los Soles, uma organização considerada criminosa dentro da Venezuela, voltada ao envio de cocaína para os EUA. Como não havia o menor indício da consistência da acusação, Trump recuou e passou a incriminar o presidente venezuelano por “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.

Maduro e Cilia aguardam julgamento da Justiça norte-americana no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, localizado em Nova York. O venezuelano nega todas as acusações e afirma ser inocente.

E, como diz Lula, qualquer julgamento deveria ocorrer em território venezuelano, pela Justiça da Venezuela, e não pelos “justiceiros” a mando de Trump, que não esconde o desejo de submeter as nações da região aos interesses carcomidos do império decadente e a cobiça pelo imenso potencial petrolífero daquele país, agredido visceralmente sem soberania.

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