Inadimplência avança em janeiro: 73,3 milhões de brasileiros afogados nos juros elevados

Bancos concentram 65,59% do total de dívidas em atraso. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Volume representa 43,88% da população adulta brasileira, aponta CNDL

O Brasil passou 2025 praticando um dos maiores juros reais do mundo, com as consequências disso se expressando nos dados de inadimplência da população brasileira neste início de ano. O Indicador de Inadimplência, divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, mostram que, em janeiro, 73,3 milhões de brasileiros estavam inadimplentes – o pior número da série histórica da pesquisa, representando 43,88% da população adulta brasileira. 

Na comparação anual, o número de pessoas inadimplentes subiu 9,39%. Ante dezembro de 2025, a alta observada pela pesquisa foi de 0,85%. A pesquisa foi divulgada no último dia 12. 

A Selic (taxa básica de juros) mantida a 15% ao ano espreme o orçamento das famílias, encarece dívidas e impossibilita que a população mantenha seus vencimentos em dia. Os juros elevados por um período tão prolongado também alonga o tempo de inadimplência: segundo dados do CNDL, o crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (aumento de 34,3%). 

“Preocupa o crescimento acentuado das dívidas de longo prazo. Isso indica que não estamos lidando apenas com um descompasso momentâneo, mas com uma dificuldade estrutural de reabilitação desses consumidores. Com 52,71% dos jovens adultos (30 a 39 anos) inadimplentes, estamos comprometendo a produtividade e o poder de compra da parcela mais ativa da nossa força de trabalho. Sem uma reversão dessa curva, o consumo das famílias continuará operando sob cautela, limitando o crescimento econômico sustentável para o restante do ano”, destacou em nota o presidente da CNDL, José César da Costa.

A pesquisa também expõe a quem a população mais deve: o setor financeiro, autorizado a cobrar juros tão abusivos quanto a sua referência estipulada pelo Banco Central.

Em termos de participação, os bancos concentram 65,59% do total de dívidas em atraso. Na sequência, aparece Água e Luz (11,00%); Outros, com 9,14%; e o Comércio, com 8,84% do total de dívidas.

Em janeiro de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 4.898,02. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,26 empresas credoras”, explica a CNDL em nota. 

Observando os dados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 9,33%, seguido pelo Sudeste (8,89%), Norte (8,70%), Centro‐Oeste (7,42%) e Nordeste (7,06%).

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