Indústria colhe frutos dos juros elevados: faturamento real fica estagnado em 2025, diz CNI

Produção da indústria de transformação recuou 0,2% em 2025. Foto: Diego Campos/CNI

Patamar elevado dos juros derrubou produção, emprego e massa salarial no ano passado

Alvejado pelos juros altos, o faturamento real da indústria de transformação caiu 1,2% em dezembro de 2025, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados na sexta-feira (6).Frente a dezembro de 2024, o indicador caiu -4,4% e,  no acumulado de 2025, encerrou estagnada ( 0,1%) em relação a 2024 (+6,2%, o maior resultado em 14 anos).  

A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, afirma que os indicadores Industriais estão “colhendo os efeitos prolongados do patamar elevado das taxas de juros”. Em dezembro do ano passado, a produção física do principal ramo da indústria brasileira apresentou uma queda de -1,9%, segundo o IBGE. Em comparação com mesmo mês de 2024, recuou -1%. No ano de 2025, ficou -02% em baixa em relação a 2024.

No último mês de 2025, de acordo com a CNI, também houve quedas de desempenho no número de horas trabalhadas na produção (-1%), no emprego (-0,2%), na massa salarial (- 0,3%) e no nível de utilização da capacidade instalada (-0,4 ponto percentual) na comparação com novembro. Já o rendimento médio real registrou relativa estabilidade (+0,2%) no mês.

Segundo a diretora da CNI, “esse desempenho é reflexo do patamar elevado das taxas de juros, que encarecem o crédito para empresários e consumidores. Essa é a principal causa da perda de ritmo da indústria, agravada pela forte entrada de produtos importados, particularmente de bens de consumo”. 

Larissa Nocko também avalia que os grandes fatores que causaram a reversão do crescimento dos indicadores industriais observada de 2024 para um comportamento de recuos em 2025, não devem deixar de existir ao longo de 2026. 

“A convivência com taxas de juros elevados, o elevado custo do crédito, a desaceleração da atividade econômica, a forte entrada de bens de consumo importados, todos esses elementos devem permanecer ao longo de 2026, trazendo uma perspectiva que não é das melhores para a indústria de transformação ao longo desse ano”, concluí.  

Apesar da Indústria exigir a imediata redução dos juros, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve o nível da taxa básica de juros em 15% ao ano e sinalizou na ata da última reunião do colegiado, realizada na semana passada, que uma possível redução dos juros (Selic) só deve ocorrer na próxima reunião de março. 

Na contramão da indústria, os bancos lucraram muito em 2025 com os juros altos. Somente os três maiores bancos privados no Brasil (Itaú, R$ 46,83 bilhões de lucro no ano; Bradesco, R$ 24,65 bilhões; e o espanhol Santander, R$ 15,615 bilhões) somaram juntos um lucro de R$ 87 bilhões. 

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