Inflação de 2025 fica em 4,26% e juro real chega perto de 11%

Sede do BC em Brasília ao fundo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com inflação sob controle, BC mantém juros elevados estrangulando a produção e o consumo dos brasileiros

O Brasil encerrou o ano de 2025 com a inflação controlada, com alta do IPCA de 4,26%, que é 0,57 (p.p) abaixo dos 4,83% registrados em 2024, conforme os dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o menor índice de inflação desde 2018 (3,75%).

Com o resultado – que é abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo governo e das expectativas do mercado financeiro (4,31%) – o Banco Central (BC), ao estabelecer um Selic (taxa básica de juros) de 15%, condena os brasileiros a pagarem uma taxa de juros reais (descontada a inflação) próxima a 11%, a segundo maior taxa do Planeta. 

Por meio de seus porta-vozes na mídia, os bancos pressionam agora para que os diretores do BC, chefiados por Gabriel Galípolo, reduzam os juros a conta-gotas dos juros, mantendo o arrocho contra os setores produtivos e a desaceleração da economia em 2026.  

A expectativas dos banqueiros é que após as oito reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, que ocorrem a cada 45 dias, a taxa nominal fique em 12,25% em dezembro de 2026, segundo o ponto médio das projeções de economistas de mercado, divulgados no início desta semana pelo BC. Ante a uma inflação esperada de 4,06%, o juro real deve terminar o ano próximo dos 8%, o que é acima do nível de 2024, ano em que os diretores do BC iniciaram o ciclo de aumento dos juros.  

Essa redução a conta-gotas dos juros só teria início apenas na segunda reunião do Copom, em março deste ano, com uma redução de 0,50 p.p na taxa, segundo uma consulta feita pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), com 20 instituições financeiras, entre 17 e 19 de dezembro de 2025. 

Dados do IBGE mostram que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro voltou a perder desempenho no terceiro trimestre de 2025, ao variar em alta de 0,1% no período, resultado abaixo do trimestre anterior (0,3%) e ainda menor em relação aos primeiros trimestres de 2025 (1,5%).  

Com a manutenção dos escorchantes juros do BC, a estimativa de crescimento do PIB em 2025 está em 2,2%. Para este ano, o mercado projeta alta de 1,80%. Caso se confirmem, ambos os resultados são bem abaixo dos resultados obtidos nos dois primeiros anos do terceiro mandato do governo Lula. Em 2023, o PIB subiu 3,2%, e em 2024, a alta foi de 3,4%.

ANTONIO ROSA

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