Estudiosos e analistas ouvidos pela TV BRICS apontam alinhamento dos países do grupo em temas econômicos e sociais, ampliação de negócios em moedas locais, combate às desigualdades, meio ambiente, IA, como resultados da Presidência brasileira
A influência do BRICS no cenário internacional se fortaleceu e cresceu sob a Presidência do Brasil, afirmam especialistas e estudiosos de vários países do bloco, em texto de Svetlana Khristoforova para a TV BRICS.
Neste primeiro dia do ano, A Índia, sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi, assume oficialmente a direção do bloco. O Brasil transferiu simbolicamente a presidência do BRICS para a Índia durante uma reunião dos sherpas (representantes de alto nível de países) do grupo no dia 12 de dezembro.
Segundo o texto, os especialistas apontam que o principal resultado da Presidência brasileira foi a construção de abordagens comuns entre os países-membros — um passo considerado fundamental em um contexto de rápidas transformações na ordem internacional.
“A presidência brasileira do BRICS em 2025 alcançou resultados significativos, deslocando com sucesso o grupo da rápida expansão para a institucionalização estratégica. Trabalhando sob o lema ‘Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável’, a administração do presidente [Luis Inácio] Lula [da Silva] alcançou resultados concretos em vários campos”, disse Daniel Barreiros, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista exclusiva à TV BRICS.
ECONOMIA
Na economia, durante a Presidência brasileira, os países do BRICS conseguiram alinhar suas posições em vários temas econômicos fundamentais. Entre eles estão o desenvolvimento de pagamentos transnacionais, a ampliação dos pagamentos em moedas nacionais e o avanço de uma arquitetura financeira alternativa, com base no Novo Banco de Desenvolvimento.
Igualmente, a defesa de reforma das instituições internacionais recebeu grande atenção. Especialistas destacam que o Brasil defendeu a ideia de redistribuição das cotas no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial, levando em consideração o peso real das economias em desenvolvimento, além da necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU para aumentar a representação dos países da África, Ásia e América Latina.
COOPERAÇÃO
O Brasil deu especial atenção no fortalecimento da cooperação nas áreas social, econômica e ambiental durante sua presidência do BRICS, conforme destacou na entrevista o analista Mikhail Khatchaturian. A iniciativa prevê a ampliação do financiamento para ações de combate às mudanças climáticas em países em desenvolvimento, com recursos estimados em US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões). Esses fundos serão usados principalmente para o desenvolvimento e implementação de projetos e programas ambientais nos países em desenvolvimento da África, América Latina e Caribe. O mais importante não é apenas o financiamento, mas o fato de os países do BRICS terem conseguido chegar a um acordo sobre a questão climática.
“Essas decisões, de fato, distinguem as posições dos países do BRICS das posições consolidadas dos países desenvolvidos, que não conseguem chegar a um acordo sobre questões climáticas”, disse Viktoria Perskaia, diretora do Instituto de Estudos de Relações Econômicas Internacionais da Universidade Financeira da Rússia e doutora em economia.
O presidente Lula, em seus pronunciamentos, alertou para a necessidade regulação na área de inteligência artificial (IA), tema que recebeu apoio dos países-membros do BRICS.
IA
As principais diretrizes sobre IA foram consolidadas na Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial. “[…] a governança global da IA deve mitigar riscos potenciais e atender às necessidades de todos os países, especialmente os do Sul Global”, afirma o documento publicado pelo governo brasileiro.
Os líderes do bloco destacaram não só as oportunidades da IA, mas também os riscos associados ao seu desenvolvimento acelerado. O grupo defende a criação de padrões internacionais focados na confiança, compatibilidade e segurança das redes neurais.
“A presidência passada do Brasil no BRICS ocorreu sob o lema ‘Crescimento econômico para um futuro inovador’. Em 2025, parece que o futuro inovador e a disseminação em massa da IA já não parecem tão promissores e podem representar uma ameaça à soberania nacional e ao crescimento econômico dos países do BRICS”, observou, Mamedov Tural Natig Ogly, doutor em ciências econômicas e pesquisador do Instituto de Estudos das Relações Econômicas Internacionais da Universidade Financeira do Governo da Rússia.
COMBATE ÀS DOENÇAS
O combate às doenças socialmente determinadas, a superação da pobreza e da miséria são algumas das prioridades do Brasil na política interna. Não é à toa, portanto, que em 2025 os países do BRICS, sob a presidência do Brasil, tenham se concentrado ativamente nessas questões. A iniciativa visa combater doenças relacionadas à pobreza, vulnerabilidade social e desigualdade, com ênfase na prevenção e no fortalecimento dos sistemas de saúde pública.
“Esse tema foi o fio condutor da cúpula do G20 realizada no Brasil em 2024. A transição desse tema para o nível do G20 mostra que o papel do BRICS na comunidade global está crescendo e se tornando coordenador em uma escala global”, destaca Viktoria Perskaia.
DESAFIOS
A liderança brasileira no BRICS buscou ampliar a cooperação entre os países-membros. Isso foi alcançado na avaliação de muitos especialistas.
“Os principais desafios do funcionamento do grupo permanecem os mesmos: as diferenças nos níveis de desenvolvimento socioeconômico entre seus membros, especialmente com a expansão do BRICS+ em 2023, e as dificuldades técnicas associadas ao caráter informal do grupo. No entanto, o principal desafio enfrentado pelos países do BRICS em 2025 foi coordenar as posições dos membros”, afirmou Fiodor Arjaev, doutor em economia e pesquisador principal do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Universidade Financeira do Governo da Rússia.
Fonte: TV BRICS











