INSS: Master concedeu 254 mil consignados sob suspeita de fraude

“Os contratos não são claros”, afirma Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS (Foto: Rafael Carvalho - Portal Gov)

Autarquia bloqueia R$ 2 bilhões e investiga contratos do ex-Banco Master. Beneficiários podem ser ressarcidos

A investigação segue o curso e há bloqueio de repasses. O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já identificou que há indícios de irregularidades em cerca de 254 mil contratos de empréstimos consignados firmados com o extinto Banco Master.

O que, segundo o INSS, totaliza cerca de R$ 2 bilhões em créditos descontados de aposentados e pensionistas.

Gilberto Waller Júnior, presidente do órgão, explicou que desde setembro de 2025 todos os valores que seriam repassados ao banco foram retidos até que a veracidade dos contratos seja comprovada.

“Os contratos não são claros, não seguem a instrução normativa do INSS, não têm taxa de juros nem custo efetivo total informados, e a forma de assinatura apresentada não permite verificar se o segurado realmente autorizou o empréstimo”, afirmou em entrevista à GloboNews.

CONTRATOS COM FALHAS GRAVES E INDÍCIOS DE FRAUDE

Segundo o INSS, muitos dos documentos entregues pelo banco contém assinaturas apresentadas como eletrônicas, mas sem QR Code para confirmar autenticidade, o que impossibilita a validação de que o consentimento foi de fato dado pelos beneficiários.

Waller afirmou ainda:

“Não liberamos mais os recursos para o Banco Master ou para quem ele cedeu o crédito até a comprovação de que essa assinatura é do nosso aposentado e pensionista.”

O presidente do INSS destacou que reunião com o liquidante da instituição financeira está marcada para a próxima semana, quando será estipulado prazo para apresentação de documentação que comprove a idoneidade dos contratos.

RISCOS AOS BENEFICIÁRIOS E POSSÍVEIS DEVOLUÇÕES

Se os contratos não forem regularizados e a autenticidade das assinaturas não for comprovada, a autarquia informou que deverá cancelar os consignados e devolver os valores descontados indevidamente aos aposentados e pensionistas.

Especialistas e representantes do INSS ressaltam que esses casos são especialmente preocupantes porque atingem aposentados e pensionistas — muitos em situação de vulnerabilidade —, e envolvem contratos que, segundo as análises iniciais, não atendem aos requisitos legais e normativos mínimos.

CONTEXTO E ANTECEDENTES DO CASO

A investigação ocorre após o Banco Master ter sido colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a outras apurações relacionadas a irregularidades financeiras e operações suspeitas.

Autoridades federais ressaltam que o caso integra contexto mais amplo de vigilância reforçada sobre empréstimos consignados e outros produtos financeiros que impactam diretamente a renda de beneficiários do INSS, e que a transparência e a proteção dos segurados são prioridades na análise das operações.

O QUE O INSS RECOMENDA AOS SEGURADOS

O INSS orienta que aposentados e pensionistas que tiveram desconto em seus benefícios verifiquem extratos e, caso identifiquem cobranças que desconhecem, procurem os canais oficiais da autarquia para registrar denúncias e buscar esclarecimentos.

À medida que as investigações avançam, o caso do Banco Master promete manter sob atenção órgãos reguladores, autoridades judiciais e beneficiários, com potenciais impactos financeiros e legais significativos para milhares de segurados do sistema previdenciário.

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