A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Renato Rabelo “entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil”. O ex-presidente do PCdoB faleceu no domingo (15).
“Recebi com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo, grande liderança do PCdoB”, disse Gleisi.
“Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil. Enfrentou a ditadura, a perseguição e o exílio. De volta ao país, participou ativamente das grandes lutas e mobilizações pelas eleições diretas e pela Constituinte”, continuou.
“Foi um dos articuladores da Frente Brasil Popular que apoiou Lula nas eleições de 1989. Na presidência do PCdoB, seguiu construindo as grandes alianças da esquerda e do campo popular e democrático”, relatou a ex-presidente do PT.
“Guardo de Renato as melhores recordações e expresso meus sentimentos à família, amigos e companheiros neste momento”, completou.
O presidente Lula também publicou uma mensagem contando que esteve com Renato Rabelo em “alguns dos momentos mais importantes de nossa história. Estivemos juntos nas greves do ABC, nas Diretas Já e nas campanhas presidenciais a que concorri”, relatou.
MST
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também publicou mensagem pelo falecimento de Renato Rabelo.
Leia:
RENATO RABELO, UM GIGANTE DO BRASIL
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta seu mais profundo pesar e solidariedade aos familiares, amigos e militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) pelo falecimento de Renato Rabelo, ocorrido hoje. O dirigente enfrentava um câncer há anos, que evoluiu recentemente.
Renato foi um defensor das causas populares e um exemplo inabalável de dignidade revolucionária. Com mais de 60 anos de militância ininterrupta, Renato atravessou os períodos mais desafiadores da nossa história. Da resistência ferrenha contra a ditadura militar à consolidação da democracia, sua atuação como dirigente do PCdoB foi fundamental para unificar a esquerda brasileira. Foi um dos arquitetos da unidade popular, sempre compreendendo que a força do povo reside na sua capacidade de organização e na clareza ideológica.
Para nós, do MST, Renato Rabelo foi um grande e leal amigo. Compreendia a centralidade da luta pela terra na transformação do Brasil. Em diversos momentos decisivos, estivemos lado a lado nas trincheiras e nas articulações políticas. Sua vida pública foi um exemplo de coerência.
Renato Rabelo, presente!
CIDA PEDROSA
Cida Pedrosa, poeta, vereadora do Recife pelo PCdoB, ex-secretária da Mulher e do Meio Ambiente e Prêmio Jabuti, diz em sua carta em homenagem a Renato Rabelo que o dirigente comunista “deixará discípulos e discípulas, camaradas que seguirão com bandeiras e punhos erguidos em busca do tempo novo”
Leia a carta na íntegra:
Carta para Renato Rabelo
Estou no Recife, com o corpo fervendo e frevando, fazendo da festa mais democrática do Brasil espaço para a luta política progressista, afinal os que acreditam no bem viver e num Deus que dança, sabem o quanto a arte transforma e salva.
INFELIZMENTE, sei por amigos, que você foi embora, se ultimando, terminando sua jornada de luta e de beleza aqui na terra. Estão me lembro que você se chama Renato, que vem do latin “Renatus” e que significa renasido ou nascido de novo e aí me alcalmo pois sei que tua luta renascerá em cada jovem comunista, em cada batalha travada contra o capitalismo, em cada trincheira armada contra a extrema direita e seu fasismo nefasto, em cada jornada para o tempo socialista, em cada jardim de casinhas camponesas, em cada rua de periferias longínquas, em cada chuva, em cada sol, em cada poemação!
Sentiremos tua falta imensamente, mas como já disse, você deixará discípulos e discípulas, camaradas que seguirão com bandeiras e punhos erguidos em busca do tempo novo. Também ficam aqui teus velhos camaradas a nos guiar: Alanir Cardoso, Nevinha, Luciano e Luci Siqueira, Freitas, Jô Morais, Liege, Ana Rocha, Barroso e tantos e tantas outras que aprenderam contigo que não ha possibilidade de felicidade longe do socialismo.
Tua história é a nossa história: a do PCdoB e a do Brasil, afinal não se conta a história da democracia, das lutas libertárias e dos avanços do nosso pais sem contar a historia dos seu lutadores e você sempre foi um deles.
Também sei, e isso me tranquiliza mais ainda, que teus camaradas do Araguaia, luta que você fez parte, te receberão em festa. Amazonas e Elza vão tá no pelotão de frente, de braços abertos para te agasalhar. Diga para eles que escrevi um livro sobre nossa saga a saga das Araras Vermelhas que queriam libertar o Brasil.
Vou ficando por aqui, afinal sou uma mulher que já passou da meia idade e anda com o coração molenga, mas saiba que nós, seus camaradas, olharemos com carinho para sua Conchita, da mesma forma que olhamos para você.
Um cheiro e que tua travessia seja leve, como leve são as asas dos que se deram em vida ao povo.
Cida Pedrosa










