O Irã respondeu ao bombardeio americano-israelense ao seu campo de gás de South Pars, o maior do mundo, perpetrado na quarta-feira (18) – uma escalada absolutamente insana por parte de Trump e Netanyahu ao atingir instalações industriais que fornecem a energia imprescindível ao mundo -, e horas depois retaliou atacando os campos de produção de gás e petróleo e refinarias dos países de cujas bases partem as agressões, no Qatar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, como seguida e explicitamente Teerã advertira.
A escalada desencadeada por Trump e Netanyahu fez com que o preço do barril Brent subisse para US$115 o barril nesta quinta-feira (19), enquanto na Europa o preço futuro do gás natural registrava alta de cerca de 14%, tendo chegado até a 35% a mais.
De acordo com as primeiras avaliações, os ataques às instalações de Ras Laffan no Qatar destruíram 17% da capacidade de exportação de GNL do país e os reparos devem durar até cinco anos. Duas refinarias foram atingidas no Kuwait e uma na Arábia Saudita.
Antes, no último mês de fevereiro, Trump havia, em conluio com o genocida-mor Netanyahu, desencadeado uma agressão militar não provocada e traiçoeira – em meio a negociações em Genebra -, em que não faltaram sequer os requintes de assassinar o líder do Irã e da sua revolução, o aiatolá Ali Khamenei, mais o alto comando, reunido com ele em seu escritório, e da chacina de 175 meninas em uma escola primária, com mísseis Tomahawk.
Uma agressão em violação à Carta da ONU e à jurisprudência de Nuremberg, segundo a qual a guerra de agressão é o crime que condensa todos os outros. E, no que tange aos EUA, a explicitação do estelionato eleitoral de Trump, que se elegeu para o segundo mandato prometendo “acabar com as guerras eternas”.
Agressões que não pararam desde então, nem os assassinatos de líderes iranianos ou os bombardeios a alvos civis, mas a blitzkrieg com decapitação do governo fracassou e a resistência iraniana segue contundente e altiva já faz três semanas.
AGRESSÃO COORDENADA PELA CASA BRANCA, REVELA A REUTERS
Nesse quadro, o governo Trump tentou tirar o corpo fora, culpando exclusivamente Israel pelo bombardeio, o que foi desmentido pela Reuters e o The Wall Street Journal. Também Axios, um importante portal de notícias norte-americano, enfatizou que autoridades israelenses e americanas disseram que o ataque foi “coordenado e aprovado pela Casa Branca”.
Na noite de quarta-feira, em uma postagem na sua rede Truth Social, Trump alegou que Washington “não sabia nada sobre esse ataque em particular” e que Israel não atacaria mais o campo de gás a menos que o Irã atacasse novamente o Catar.
Três oficiais israelenses, que falaram à Reuters sob condição de anonimato, disseram que Israel não ficou surpreso com as postagens de Trump. O que compararam à atitude do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, quando Israel bombardeou depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás: “nesse caso específico, esses não foram nossos ataques”, mentira então o tatuado ex-apresentador da Fox News.
QATAR PERDE 17% DA CAPACIDADE DE EXPORTAÇÃO DE GNL
Segundo a agência de notícias Reuters, o revide iraniano ao campo qatariano de gás derrubou 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL), tendo sido atingidos dois dos 14 trens de GNL do Catar e uma de suas duas instalações de gás-líquido (GTL). O que privará o mundo – e especialmente a Europa e a Ásia – de 12,8 milhões de toneladas de GNL por ano por três a cinco anos, de acordo com o ministro da Energia, Saad al-Kaabi. A perda anual de receita foi estimada por ele em US$ 20 bilhões.
Kaabi disse ainda que a estatal QatarEnergy terá que declarar força maior em contratos de longo prazo de até cinco anos para o fornecimento de GNL com destino à Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China.
Para que a produção – e os reparos – recomece, ele disse, “primeiro precisamos que as hostilidades cessem”, disse ele. Uma parte do prejuízo caberá aos sócios no empreendimento, respectivamente a ExxonMobil, Shell e EDTF.
A estatal de petróleo do Kuwait registrou que duas refinarias foram atingidas com drones, causando incêndios. O ministério da Defesa da Arábia Saudita disse estar avaliando os estragos após um drone tem acertado a refinaria Samref e que um míssil balístico aparentemente dirigido para o porto de Yanbu no Mar Vermelho havia sido interceptado.
PAREM A ESCALADA
“Não haverá contenção se nossa infraestrutura for atacada novamente”, advertiu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, na quinta-feira, em sua conta no Twitter.
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país utilizou apenas uma fração de sua força em resposta ao ataque israelense à sua infraestrutura energética. “O único motivo para a contenção foi o respeito ao apelo pela desescalada”, disse ele.
Araqchi deixou claro que “qualquer solução para esta guerra deve abordar os danos causados às nossas instalações civis”.
Por sua vez, o porta-voz do quartel-general central Khatam al-Anbia, Tenente-Coronel Ebrahim Zolfaghari, alertou que o inimigo “cometeu um grave erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do Irã” e anunciou que “a resposta a esse ataque está em andamento e ainda não foi concluída”.
“Se isso se repetir, os próximos ataques contra a sua infraestrutura energética e a de seus aliados não cessarão até sua completa destruição, e nossa resposta será muito mais severa do que os ataques desta noite”, acrescentou.
FRENTE UNIDA PELA DESESCALADA
Apesar de estarem chorando as pitangas, os países do Golfo, além de albergarem as bases norte-americanas de onde partem os ataques contra o Irã, não tiveram a sensatez de ouvirem os conselhos da Rússia e China sobre a resolução aprovada no Conselho de Segurança da ONU sobre o Oriente Médio, que “condenava os ataques iranianos” mas que se calava sobre “quem era o agressor”, isto é, EUA e Israel. O que, naturalmente, como alertou então o embaixador russo, Vassily Nebenzia, “não contribui para a paz”.
Na famosa reunião do chanceler russo Sergey Lavrov com os embaixadores do Golfo, o veterano diplomata, advertira sobre o “desequilíbrio” da resolução e os convocara a uma “frente unida” pela desescalada. E fez a dolorosa pergunta: “vocês apresentaram [ao Irã] vossas condolências pelas 175 meninas mortas no ataque à escola?”.
Na última postagem que fez antes de ser assassinado no ataque terrorista americano-israelense, Ali Larijani voltara a advertir aos parceiros muçulmanos que os EUA não são amigos dos árabes, mas de Israel, e que o Irã sinceramente os alerta sobre isso.











