Irã denuncia EUA por usar protestos pacíficos para orquestrar distúrbios violentos

Manifestação pacífica em Fasa, sul do Irã, misturada com arruaças.(Foto: reprodução via AFP)

O serviço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) acusou os Estados Unidos e Israel de orquestrar distúrbios no Irã por meio de um plano deliberado, guiado por serviços de inteligência estrangeiros e executado por forças terroristas organizadas no terreno, informou a agência de notícias Tasnim. A agência afirmou que o inimigo mudou sua estratégia de um ataque frontal para a promoção da instabilidade interna.

O porta-voz do Conselho Constitucional do Irã, Hadi Tahan Nazif, também atribuiu os recentes distúrbios violentos no país à interferência estrangeira, que se aproveitou de protestos pacíficos contra problemas econômicos para quebrar a segurança.

Nazif afirmou que um dos observadores do Conselho Constitucional em Qazvin está entre os que morreram em meio aos distúrbios.

“A interferência estrangeira transformou protestos pacíficos da população, direcionados a reivindicações de meios de subsistência, em tumultos e distúrbios”, acrescentou.

Em declarações feitas na manhã de sexta-feira (9), o Líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Khamenei, afirmou que vândalos destruíram prédios de seu próprio país em Teerã e em outras cidades, a fim de se congraçar com o presidente dos EUA.

“O IRÃ JAMAIS RECUARÁ DIANTE DE VÂNDALOS”

“O presidente dos EUA tem o sangue de mais de mil iranianos em suas mãos”, assinalou Khamenei, acrescentando que Donald Trump confessou ter ordenado ataques durante a guerra de 12 dias em junho de 2025, que ceifaram a vida de mais de mil iranianos, incluindo comandantes militares, cientistas e civis.

O líder apontou a um bando de pessoas desavisadas “que foram enganadas pelo presidente dos EUA e incendiaram latas de lixo para agradar Trump”.

O aiatolá Khamenei afirmou ainda que “o Irã, a República Islâmica, que surgiu graças aos sacrifícios de centenas de milhares de pessoas nobres, jamais recuará diante de vândalos ou tolerará atitudes mercenárias em relação a estrangeiros”.

“Quando uma pessoa se torna mercenária e serve a estrangeiros, essa pessoa será rejeitada pela nação e pelas autoridades islâmicas”, afirmou.

O aiatolá Khamenei também pediu à juventude do Irã que mantivesse a prontidão, a unidade e a presença em cena, enfatizando que uma nação unificada e integrada superará todos os inimigos.

EUA E ISRAEL INCITAM A VIOLÊNCIA

“Nos últimos dias, autoridades norte-americanas, em particular o Presidente dos EUA, estiveram lado a lado com o Primeiro-Ministro criminoso do regime israelense, fazendo declarações públicas que caracterizam os assuntos internos do Irã”, como exigir ‘intervenção externa’, ‘resgate’ ou desfechos políticos coercitivos. A conduta coordenada entre os Estados Unidos e o regime israelense é evidente. Por meio de declarações inflamatórias, sinalizações políticas e ameaças públicas, apoiaram grupos terroristas, provocaram a desestabilização social e tentaram transformar protestos pacíficos em desordem violenta”, afirmou Amir Saeid Iravani, embaixador, Representante Permanente do Irã na ONU, em carta ao Secretário-Geral Antonio Guterres e a Abukar Dahir Osman, presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“A transformação de protestos pacíficos em atos violentos e subversivos e em vandalismo generalizado constitui a consequência direta e previsível de tais políticas. A responsabilidade total por suas consequências recai inequívoca e claramente sobre os Estados Unidos”, frisou, agradecendo “se puderem dispor a presente carta como um documento oficial do Conselho de Segurança”.

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