Irã volta a fechar o Estreito de Ormuz em reação ao massacre perpetrado por Israel hoje no Líbano

Ruptura da trégua por bombardeio a mando de Netanyahu (AFP)

Israel viola trégua, chacina 254 no Líbano em dez minutos e fere 1.120 no mais feroz ataque desde 28 de fevereiro

Poucas horas após a entrada em vigor do cessar-fogo de duas semanas para negociações entre Washington e Teerã, o Irã se viu forçado a fechar o Estreito de Ormuz em reação ao massacre no Líbano perpetrado por Israel nesta quarta-feira (8), em violação da trégua acordada na véspera.

Os bombardeios do regime fascista israelense ao Líbano foram os mais intensos desde o início da agressão ao Irã de 28 de fevereiro, com mais de 100 locais atacados em dez minutos, matando 254 pessoas e ferindo mais de 1120. O premiê libanês Nawaf Salam acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e de ignorar esforços internacionais pela paz.

Os ataques atingiram áreas residenciais densamente povoadas, desde a capital, Beirute, e seu subúrbio ao sul, até áreas em Saida e Nabatie, no sul, e Bekaa, no leste do Líbano, de acordo com a agência de notícias libanesa Al-Mayadeen. Hospitais libaneses fizeram um apelo urgente por doações de sangue, sobrecarregados pelo número de vítimas.

Conforme o acordo mediado pelo Paquistão, a trégua atinge todas as frentes da guerra, com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, citando explicitamente o Líbano. Cumprindo sua parte, antes que a barbárie sionista voltasse a brutalizar o Líbano, o Irã havia permitido a passagem de dois petroleiros.

“Se a agressão contra o amado Líbano não cessar imediatamente, daremos uma resposta contundente aos agressores malignos na região”, alertou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) em um comunicado divulgado na quarta-feira.

“Mal se passaram algumas horas desde o acordo de cessar-fogo, e o regime sionista, com sua natureza predatória e sua identidade inseparável do assassinato de inocentes, crianças e mulheres, iniciou um massacre brutal em Beirute”, denuncia o comunicado.

“Advertimos severamente os Estados Unidos, que romperam o pacto, e seu parceiro sionista, de que se a agressão contra o amado Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos nosso dever e daremos uma resposta enérgica aos agressores malignos na região”, alertou ele.

CESSAR-FOGO PARA TODOS – INCLUSIVE O LÍBANO – OU PARA NINGUÉM

“Ou há um cessar-fogo em todas as frentes, ou não há cessar-fogo em nenhuma frente”, advertiu o porta-voz do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ibrahim Rezaei.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, conversou pelo telefone com o primeiro-ministro Sharif, reiterando que o cessar-fogo no Líbano é uma “condição fundamental” para a desescalada e faz parte do plano de paz de 10 pontos que os EUA aceitaram como uma “base viável” para as negociações. 

Pezeshkian também o informou de que o próprio território iraniano havia sido atingido, nas ilhas de Lavan e Siri; não se sabe a procedência desses ataques.

Sharif pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e disse que violações prejudicam o espírito de paz buscado pelas negociações para colocar um fim definitivo à guerra do Oriente Médio. As negociações para buscar um fim permanente da guerra poderiam começar em Islamabad já na sexta-feira.

Durante a ligação, noticiada pela IRNA, Pezeshkian afirmou que, ao aceitar a proposta de cessar-fogo, o Irã demonstra seu compromisso “firme e responsável” em encontrar uma solução para a situação. “Os países da região e do mundo devem aproveitar esta oportunidade para pressionar os agressores e impedi-los de repetir erros estratégicos”, apontou.

IRÃ AOS EUA: “CONTENHA SEU CÃO RAIVOSO

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, Teerã está “finalizando os preparativos para realizar uma operação de dissuasão contra posições militares israelenses”.

Na avaliação da fonte, que falou sob condição de anonimato, Teerã acredita que os ataques brutais de Israel ao Líbano são a prova de que Washington é incapaz de controlar Netanyahu ou deu carta branca a Tel Aviv.

“Se os Estados Unidos não conseguirem conter seu cão raivoso na região, o Irã o ajudará nessa questão, excepcionalmente, por meio da força.”

O cessar-fogo agora ameaçado foi acordado na terça-feira, depois de um mês de guerra de agressão desencadeada pelos EUA e por Israel contra o Irã, e após Washington ser surpreendido pela resistência iraniana que reagiu com uma saraivada diária de mísseis, inclusive hipersônicos, e drones, sobre as bases e interesses norte-americanos no Golfo, destruição dos radares estratégicos e de aviões da agressão, fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo, gás, fertilizantes e gás hélio mundial, fazendo o preço da energia disparar no mundo inteiro. Inclusive nos EUA onde, a sete meses das eleições, em 30 dias de guerra a gasolina aumentou 35%.

66% dos americanos querem o fim imediato da guerra, enquanto os europeus recusaram o chamado de Trump para atacar o Irã. Sempre exigindo “tomar o petróleo” iraniano, o descontrolado Trump – horas antes de ser forçado a aceitar o plano de paz iraniano – ameaçou “destruir uma civilização inteira em uma noite”, passando recibo de seu isolamento e insanidade, e tornando a posição dos EUA insustentável perante o mundo.  

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