Iranianos desafiam bombardeios e vão às ruas no Dia de Al Quds de solidariedade aos palestinos

Multidão solidária ao povo palestino toma as ruas de Teerã (Vídeo Al Jazeera)

Presidente Pezeshkian encabeçou a marcha em Teerã, realizada desde 1979. Bombas foram lançadas durante a marcha causando a morte de uma mulher, atingida por estilhaços em local próximo

Apesar dos bombardeios americano-israelenses que não param, iranianos foram às ruas na sexta-feira para comemorar, como fazem anualmente nesta data desde 1979, o Dia de Al Quds (Jerusalém), reafirmando sua solidariedade à causa palestina e a resistência aos EUA e a Israel.

A marcha em Teerã contou com a presença do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, do ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e do secretário do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, em Teerã.

Uma mulher morreu devido a ataque a bomba que explodiu perto de uma praça próxima à Universidade de Teerã, onde multidões se reuniam em apoio ao governo iraniano e aos palestinos, com bandeiras iranianas e cartazes de Khamenei e seu filho Mojtaba, eleito novo líder supremo. Vídeo publicado pela agência Tasnim mostrou uma nuvem de fumaça cinza subindo enquanto manifestantes bradavam “Morte a Israel!” e “Morte à América!”

Em comunicado, o presidente Pezeshkian agradeceu à “presença brilhante, consciente e unificadora” da população na marcha do Dia de Al Quds, o que descreveu como “uma manifestação plena de seu compromisso e responsabilidade para com os valores humanos, islâmicos, patrióticos e nacionais”.

Ele destacou a “presença corajosa” de milhões de pessoas nas ruas desafiando os bombardeios, o que reitera o “compromisso da nação iraniana com a independência e a resistência à opressão e à arrogância”.

RETALIAÇÃO AOS AGRESSORES NÃO PARA

Em paralelo, na véspera um avião-tanque KC-135 foi derrubado pela resistência sobre o Iraque e outro só escapou por pouco. Seis tripulantes norte-americanos tiveram a morte confirmada pelo Pentágono, aumentando o total para 13 e uma centena de feridos.

Um misterioso incêndio irrompeu no porta-aviões Gerald Ford, mas com o Pentágono alegando que foi “na lavanderia” mas não teria afetado “o sistema de propulsão”. O porta-aviões Abraham Lincoln também foi posto para correr, quando se aproximou do Estreito de Ormuz.

Enquanto a agressão conjunta EUA-Israel contra o Irã completa duas semanas, a retaliação iraniana já destruiu em boa medida as bases americanas no Oriente Médio, em especial os principais radares, e as bases estão inoperantes. Israel esteve por cinco horas sob uma saraivada de mísseis, drones e foguetes na noite passada, que deixou um rastro de fogo e destruição em Tel Aviv, Haifa e outras cidades.

A agressão também provocou uma desestabilização nos mercados de petróleo, com os preços do barril voltando a ultrapassar três dígitos, sob o decorrente bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam 25% do petróleo comercializado no mundo, além de gás e fertilizantes, depois do fracasso da tentativa de decapitação do governo iraniano com o assassinato do líder supremo Khamenei.

A ponto de o G7, em conjunto com a Agência Internacional de Energia, ter anunciado, como tentativa de paliativo, a liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas – e com o preço da gasolina subindo nas bombas nos EUA a oito meses das eleições.

TRUMP BOMBARDEIA A ILHA DE KHARG

Segundo as agências de notícias, o fuhrer de Mar a Lago anunciou em postagem pela sua rede Truth Social que os EUA bombardearam a ilha Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, e que teriam sido atingidos alvos militares mas não a infraestrutura petrolífera, apostando ainda mais na guerra. Trump também anunciou o envido de mais 2.500 marines para a região.

“Qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao ‘abandono de toda a contenção’” do Irã no conflito, já advertira Mohammad Baqer Qalibaf, o presidente do Parlamento do Irã.

Antes do bombardeio à ilha de Kharg, Trump havia dado declarações extremamente histéricas contra os líderes iranianos, chamando-os de “canalhas descontrolados” – carapuça que se encaixa à perfeição nele mesmo. Por seu notório descontrole e por sua trajetória de vida, com mentores como o pedófilo Jeffrey Epstein e o advogado macartista Roy Cohn. Com os quais burilou sua “moralidade”.

Dias antes, Larijani, pela plataforma X,  assinalara que “Trump diz que está buscando uma vitória rápida. Enquanto começar uma guerra é fácil, ela não pode ser ganha com alguns tuítes”. E acrescentava: “Não descansaremos até fazê-lo se lamentar por este grave erro de cálculo. TrumpDevePagar.”

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