Israel barrou a entrada nos territórios palestinos de uma delegação de líderes sindicais do setor educacional, vindos de 15 países, denuncia o Ministério da Educação e do Ensino Superior da Palestina.
A delegação foi detida por várias horas ao tentar atravessar fronteira jordaniana controlada do outro lado por Israel, à altura da cidade de Al Karama, na ponte Rei Hussein na sexta-feira, dia 23.
O Ministério da Educação palestino afirmou que essa e outras obstruções sistemáticas visam, claramente, impor um bloqueio total ao sistema educacional e isolá-lo de sua base de solidariedade internacional, assinalando que essa medida repressiva constitui um ataque flagrante às liberdades acadêmicas e mais um elo na cadeia da “aniquilação do conhecimento”, que visa minar os fundamentos da consciência coletiva e da identidade nacional palestina.
“O objetivo é impedir a divulgação das políticas de ocupação, que coincidem com uma escalada frenética de ataques à educação em todos os territórios palestinos. Essa escalada se manifesta na destruição sistemática de escolas na Faixa de Gaza e na negação até mesmo dos materiais escolares mais básicos, bem como em incursões diárias a escolas em Hebron e na interrupção do processo educacional em Tulkarm e Jenin pelo segundo ano consecutivo”, condena o Ministério.
A organização de sindicatos denominada “Education International”, destaca, em matéria do dia 23 em seu site que “estamos firmes com os professores palestinos, estudantes e suas organizações sindicais. Tentativas de intimidar, isolar ou silenciar os educadores só vai fortalecer nossa determinação coletiva de continuar apoiando a Educação Palestina e a decisão de ampliar as vozes daqueles que, apesar da guerra e da ocupação militar, continuam a ensinar e a construir a esperança para as futuras gerações”.
A “Education International” conclama a comunidade internacional a encetar ações decididas para desafiar estas violações e que defendam o direito à educação, liberdade acadêmica e desenvolvam a solidariedade internacional por todo o mundo.
“OCUPAÇÃO REVELA SEU MEDO DA VERDADE”
O ministério acrescentou que o ataque à delegação, convidada pela União Geral dos Professores Palestinos para participar da “Cúpula de Solidariedade na Educação”, que será realizada por ocasião do Dia Internacional da Educação, e às oficinas destinadas a defender o currículo escolar palestino contra as campanhas de agressão israelenses, “comprova a falsidade das alegações da ocupação e revela seu medo da verdade que professores e acadêmicos livres trazem ao mundo”.
O ministério apelou às instituições internacionais e de direitos humanos, incluindo a UNESCO e as Nações Unidas, para que assumam uma posição firme e séria condenando essas violações que desrespeitam todas as convenções internacionais, ao mesmo tempo que acolhe com satisfação as posições das organizações internacionais que têm insistido na manutenção da mensagem de solidariedade e defesa, salientando que “as tentativas de suprimir a opinião e informação palestinas e de prejudicar a educação apenas fortalecerão nossa determinação em proteger nossos direitos nacionais e construir o futuro de nossas gerações em nossa terra”.
CESSAR-FOGO SEGUE DESRESPEITADO POR ISRAEL
O número de mortos em decorrência da contínua agressão israelense subiu para 71.654 palestinos, com 171.391 feridos comprovados, desde o início da ofensiva em 7 de outubro de 2023, de acordo com fontes do Ministério da Saúde da Palestina, neste sábado (24).
Confirmaram ainda que quatro novas mortes foram registradas em hospitais de Gaza nas últimas 48 horas, juntamente com 12 novos feridos. Várias vítimas permanecem presas sob os escombros ou caídas nas ruas, já que ambulâncias e equipes da defesa civil ainda não conseguem chegar até elas devido à destruição em massa e à falta de suprimentos.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 11 de outubro de 2025, o número de mortos aumentou em 481 civis, com 1.313 feridos, enquanto 713 corpos mortos há mais tempo foram recuperados dos escombros, mostrando o desrespeito das forças de ocupação israelense às leis e acordos internacionais.











