Tropas e colonos israelenses vêm praticando Incêndios criminosos, roubos em massa, espancamentos, intimidação e destruição de propriedades, forçando o abandono de aldeias palestinas, mesmo após o cessar-fogo
A política de terrorismo de Estado do governo de Benjamin Netanyahu contra os palestinos se intensificou no último período fazendo com que se desdobrasse numa campanha de violência, incêndios criminosos, roubos em massa, espancamentos, intimidação e destruição de propriedades, forçando o primeiro abandono de comunidades rurais na Cisjordânia após o cessar-fogo.
Isolados, se tornaram alvos fáceis de colonos e tropas israelenses que vagavam fortemente armados entre as casas das aldeias à noite, cortando cabos de eletricidade, esvaziando caixas d’água e invadindo quartos cheios de mulheres e crianças dormindo. O que fazer se mesmo o genocídio de Gaza era invisibilizado?
“Vivíamos aqui em paz, mas eles nos transformaram em inimigos. Os colonos trouxeram a violência. Nunca chorei na minha vida, mas esta manhã chorei. Este é um dia terrível para nós”, relatou Mahmoud Eshaq, de 55 anos, sintetizando o que sentia ao partir na última quinta-feira (22), à frente de 26 famílias que abandonava o local. Descrevia sua dor ao desmontar a casa da família em Ras ‘Ein al ‘Auja, se preparando para deixar a aldeia onde havia vivido, cuidando de rebanhos de ovelhas, cabras e camelos nas colinas que descem até o rio Jordão.
“Enquanto os filhos do morador Eshaq carregavam colchões, uma geladeira, sacos de farinha e malas de roupas em um caminhão, soldados mascarados escoltavam um israelense adolescente pela rua principal da vila, onde ele posou para fotos em seu burro, fazendo o sinal do V”, descreve o The Guardian.
As famílias beduínas que ali viviam eram descendentes de refugiados expulsos do Naqab, ou Negev, no que é hoje Israel, em 1948. Aquela era a única que ainda restava.
Os colonos israelenses agora têm controle total de mais de 250 km² de terra nesta parte da Cisjordânia ocupada, denunciou Dror Etkes, fundador do grupo de monitoramento de assentamentos Kerem Navot. Conforme descrito, os palestinos foram expulsos da área que a comunidade internacional havia designado como parte de seu futuro Estado.
O projeto para expulsá-los de suas casas começou antes da guerra em Gaza, mas ganhou velocidade e força à medida que a atenção política e da mídia se voltou para outros lugares.
“Quando a guerra começou, os líderes coloniais perceberam que tinham uma oportunidade sem precedentes para intensificar a limpeza étnica na região”, disse Sarit Michaeli, diretora internacional do grupo de direitos humanos B’Tselem. O objetivo era claro: “remover os palestinos de todas as terras abertas na Cisjordânia, e eles estão fazendo isso com a participação integral do governo israelense”.
FINANCIAM OS HORRORES, USAM E ABUSAM DA VIOLÊNCIA
São rapazes de calças jeans e camisetas, os “Jovens da Colinas”, que financiados e estimulados pelo governo israelense usam e abusam da violência com total impunidade. Os veículos e equipamentos para o horror contra os palestinos são abertamente distribuídos em cerimônias públicas por lideranças, incluindo o ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, ele próprio um colono.
O vizinho Mohammed Reshad também estava arrumando suas coisas após um ataque noturno de colonos que roubaram roupas e colchões. “Há alguém que me proteja dos colonos? Se houver, eu fico”, disse.
Cada família que desiste deixa as que ficam ainda mais vulneráveis. Na’ef Ja’alin, um pai de 50 anos e 10 filhos, permanece em sua casa por desespero, não por esperança. “Os que foram embora têm família que pode lhes dar um terreno. Eu e meus irmãos não temos para onde ir. Não tenho dinheiro e a terra é muito cara”, explicou.
NAZISRAELENSES JÁ SE APROPRIARAM DE MAIS DE 18% DE UM FUTURO ESTADO PALESTINO
Em maio passado, o líder dos colonos, Elisha Yered, comemorou a destruição de mais uma aldeia como um modelo para toda a Cisjordânia. “É assim que se parece a redenção. Se Deus quiser, um dia nós forçaremos os palestinos a voltar para os lugares a que pertencem, no Iraque e na Arábia Saudita”, esbravejou. Segundo Etkes, em toda a Cisjordânia, os colonos já se apropriaram de mais de 18% das terras destinadas a um futuro Estado palestino.
Praticamente toda a população de mais de 2 milhões de pessoas está confinada a cerca de um terço do território de Gaza, principalmente em tendas improvisadas e edifícios bombardeados total ou parcialmente demolidos, onde a vida foi retomada sob o controle de uma administração liderada pelo Hamas.
Mahmoud, um morador da região de Bani Suhaila, disse que as ordens de evacuação são devastadoras. “Fugimos da área e nos realocamos para o oeste. Esta é talvez a quarta ou quinta vez que a ocupação expande a linha amarela desde o mês passado”, disse ele à Reuters por telefone de Khan Younis, referindo-se à linha atrás da qual Israel recuou.
“A cada deslocamento, eles avançam de 120 a 150 metros para dentro do território controlado pelos palestinos, engolindo mais terra”, disse o pai de três filhos.
Enquanto isso, Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de mídia do governo de Gaza, aponta que as tropas de Netanyahu expandiram a área sob seu controle a leste de Khan Younis cinco vezes desde o cessar-fogo, forçando o deslocamento de pelo menos 9.000 pessoas, tudo isso após o frágil cessar-fogo.











