
O brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah, de 17 anos, morreu na prisão de Megiddo, em Israel, por fome, desidratação e falta de cuidados médicos, aponta a autópsia revelada pela ONG Defesa das Crianças Palestinas (DCIP, em inglês).
Walid Khaled Abdallah, cujo pai é brasileiro, foi detido pela polícia israelense na Cisjordânia ocupada em setembro de 2024 por supostamente tê-los agredido.
Ele morreu na prisão de Megiddo no dia 22 de março depois de passar mal no jardim da prisão, segundo a DCIP. Walid nunca foi denunciado ou julgado.
Os exames feitos depois da morte indicam que “Walid sofria de extrema perda de massa muscular e gordura corporal, evidenciada por um abdômen afundado, de acordo com um médico que compareceu à autópsia em nome da família”.
Walid Khaled Abdallah ainda estava com um corte no pescoço.
O diretor da DCIP Ayed Abu Eqtaish declarou que “a autópsia de Walid indica que os guardas da prisão israelenses o deixaram passar fome e abusaram dele sistematicamente por meses até que ele finalmente desmaiou, bateu a cabeça e morreu”.
“A morte de Walid não foi um acidente — é um crime e a comunidade internacional deve intervir imediatamente para aplicar sanções contra o governo israelense para forçar a responsabilização”, afirmou.
“A fome é uma ferramenta de genocídio, buscando enfraquecer e, finalmente, destruir tanto o corpo quanto o espírito de crianças palestinas detidas em prisões israelenses”, continuou.
O relatório da autópsia registra que Walid estava passando por uma “extrema” e “provavelmente prolongada desnutrição”. Além disso, o jovem de 17 anos também estava com uma inflamação intestinal, que causou diarréia e desidratação grave.
Quando esteve na clínica da prisão, em dezembro, ele relatou que os presos estavam passando fome.
A ONG Defesa das Crianças Palestinas avalia que as condições nas prisões israelenses pioraram “seriamente” desde o começo da guerra, ao mesmo tempo que Israel restringiu o acesso e proibiu visitas familiares.