“A escala das mortes e da destruição no Líbano nesta quarta-feira é simplesmente horrível”, denunciou o alto comissário das Nações Unidas, Volker Türk, frisando que a trégua deveria ter atingido todos os países envolvidos no conflito. Número de mortos já ultrapassa 250 em um único dia
“A escala das mortes e da destruição no Líbano nesta quarta-feira (8) é simplesmente horrível. Essa carnificina, poucas horas depois de se concordar com um cessar-fogo com o Irã, é inacreditável”, afirmou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
O fato, alertou Türk, é que a postura beligerante do governo de Benjamin Netanyahu acaba por “exercer uma enorme pressão sobre uma paz frágil, tão desesperadamente necessária para os civis”, em meio à trégua que deveria ter atingido todos os países envolvidos no conflito que abala o Oriente Médio.
Conforme dados da Defesa Civil, os bombardeios sionistas assassinaram ao menos 254 pessoas na capital, Beirute, no Vale do Bekaa e o sul do Líbano, número que ainda é preliminar, já que há muitas vítimas gravemente feridas, mutiladas ou desaparecidas sob os escombros. O Ministério da Saúde informa que ao menos 1.100 pessoas se encontram feridas. Os mísseis, que violaram a trégua, alvejaram preferencialmente as áreas civis.
TROPAS DE NETANYAHU INVADEM TERRITÓRIO LIBANÊS
Para o chefe de direitos humanos da ONU, “todos e quaisquer ataques devem estar em conformidade com os princípios fundamentais do direito internacional humanitário, como a distinção, a proporcionalidade e as precauções para proteger os civis”. “Esses princípios são inegociáveis e devem ser sempre respeitados, quaisquer que sejam as circunstâncias do conflito armado”, ressaltou Türk, repudiando a chacina perpetrada por Israel contra a população inocente.
É por esta razão, que, reiterou o porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, ”as Nações Unidas condenam veementemente os ataques israelenses” no Líbano, defendendo a necessidade de que o governo Netanyahu aproveite “a oportunidade oferecida pelo cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã” para evitar mais mortes.
Diferente da propaganda nazi-israelense de que os alvos estariam sendo os “centros de inteligência e sedes” do grupo de resistência política Hezbolá, as bombas foram despejadas essencialmente sobre edifícios da capital. Como foi documentado por inúmeras reportagens que ganharam as redes sociais, os prédios e veículos civis foram destruídos em Beirute, em flagrande desrespeito à trégua por parte dos sionistas.
“O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, disse o gabinete de Netanyahu, justificando a continuidade da Operação ‘Leão Rugindo’. Segundo o nazi-israelense, o grande número de vítimas se deve a que a maior parte da infraestrutura atingida esteja localizada no coração de áreas residenciais, como parte do que Israel descreve como o uso de civis libaneses como “escudos humanos” pelo Hezbollah.
OS CRIMES DE GUERRA DE ISRAEL
Em comunicado oficial, o exército israelense ainda se vanglorou de ter feito seu “maior ataque” no Líbano desde o início da guerra contra o país vizinho, em 2 de março. “Em 10 minutos e em diversas áreas simultaneamente, nossas tropas concluíram o maior ataque coordenado, atingindo mais de 100 centros de comando e posições militares do Hezbollah”, mentiram descaradamente.
“Enviamos um forte aviso aos Estados Unidos, que violam tratados, e ao seu aliado sionista, seu executor: se a agressão contra o querido Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos nosso dever e responderemos”, declarou a Guarda Revolucionária do Irã em um comunicado transmitido pela televisão estatal, referindo-se a Israel.
Apesar de ter atacado o Líbano quase diariamente, mesmo com um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2014, Israel lançou uma campanha genocida de bombardeios em todo o país. Segundo as autoridades libanesas, mais de 1.500 pessoas morreram e outras 4.800 ficaram feridas nesses ataques.











