Itamaraty alerta Moraes, que recua e nega visita de assecla do governo Trump a Bolsonaro

Ministro Mauro Vieira alertou que assessor sênior do governo dos EUA, Darren Beattie, representaria desrespeito à nossa soberania (Foto: Reprodução - CNN Brasil)

Chanceler Mauro Vieira viu risco de interferência externa em ano eleitoral e alertou magistrado. Mais uma tentativa da Casa Branca, sob direção fascista, de conspurcar a soberania brasileira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ouvir o Ministério das Relações Exteriores, recuou nesta quinta-feira (12) e negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro, preso na Penitenciária Federal da Papuda, em Brasília, para a visita ao ex-mandatário do assessor sênior do governo dos EUA, Darren Beattie.

O pedido, por si só, revela que a política da Casa Branca, sob Trump, não tem limites quando se trata de ingerir nos assuntos internos dos países da região, entre outros, como se vê na agressão militar covarde contra o Irã e os iranianos.

Em pleno ano eleitoral, quando o filho 01 de Bolsonaro se declara candidato à Presidência da República como representante das extrema-direita no Brasil, o preposto de Trump tentou encontrar-se com o condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, certamente, para atribuir a ele a condição de “preso político”, que não é.

O chanceler Mauro Vieira foi certeiro na resposta ao ministro Moras, ao considerar que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Bastou isso para cair a ficha do magistrado, que escreveu em sua decisão:

“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive, poderia ensejar a reanálise do visto concedido”.

Vieira lembrou, ainda, que Beattie vem ao Brasil para participar de um fórum sobre minerais críticos em 18 de março. A visita a Bolsonaro não foi comunicada ou solicitada ao Itamaraty, razão pela qual o ministro das Relações Exteriores brasileiro afirmou que a vinda do assessor de Trump foi oficializada em 6 de março pelo Departamento de Estado dos EUA ao Consulado-Geral do Brasil em Washington, sem qualquer referência à visita ao presidiário.

“À época do referido pedido ao Consulado-Geral, não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados. Assim, o processamento e a concessão do visto ocorreram exclusivamente com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado”, declarou o chanceler brasileiro.

Na manhã desta 5ª feira, Moraes havia pedido ao ministro de Lula que informasse ao STF se o enviado de Washington teria agenda diplomática no Brasil. …

A solicitação veio depois de a defesa de Bolsonaro ter pedido uma alteração na data de visita estabelecida por Moraes. O ministro tinha permitido a visita ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em 18 de março, das 8h às 10h. Os advogados solicitaram uma mudança para 16 de março, à tarde, ou 17 de março, pela manhã ou início da tarde. Essas datas estão fora do calendário regular de visitas da unidade prisional, realizadas às 4ªs feiras e aos sábados.

A defesa argumentou que Beattie possui “rígida agenda diplomática” para solicitar a alteração. “Trata-se de funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos, cujos compromissos internacionais são estruturados com antecedência e submetidos a rígida agenda diplomática, especialmente em deslocamentos internacionais de curta duração. Nessas circunstâncias, não há possibilidade concreta de extensão da permanência em Brasília para adequação à data fixada”, escreveram os advogados, na tentativa de convencer Moraes.

Beattie é assessor sênior para política em relação ao Brasil no Departamento de Estado dos Estados Unidos. O assessor norte-americano foi recentemente designado para o cargo no governo de Trump.

Ele já é conhecido das autoridades brasileiras, pois foi um dos assessores do atual inquilino da Casa Branca que não poupou críticas a Moraes em ocasiões anteriores. Numa delas, disse que o ministro tinha “coração da perseguição” a Bolsonaro, numa inaceitável interferência nos assuntos internos do Brasil.

O pedido para visitar Bolsonaro na Papudinha é apenas mais um capítulo revelador de que Trump e seus asseclas não aprenderam com o passado e, pelo seu viés fascista, continuarão tentando conspurcar a soberania do Brasil.

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