Com lucro recorde de R$ 34 bilhões de janeiro a novembro do ano passado, maior banco privado do país pede “cautela” na redução do arrocho monetário sobre o setor produtivo e os consumidores brasileiros
O Banco Itaú divulgou relatório nesta sexta-feira (23) defendendo que o corte da taxa básica da economia (Selic) só tenha início em março deste ano. O maior banco privado do Brasil tem atingido lucros extraordinários, potencializados pela Selic, hoje em 15%, um nível altamente prejudicial aos setores produtivos da economia. Descontada a inflação, a taxa de juros real já supera os 10% ao ano, encarecendo o crédito à indústria e ao comércio, por exemplo.
Nos próximos dias 27 e 28 deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir sobre o patamar da taxa Selic. Enquanto o setor produtivo clama pela redução imediata dos juros, o setor financeiro quer a manutenção dos juros em 15% por pelo menos mais três meses.
Para 2026, o Itaú anseia que os juros sejam reduzidos a conta gotas pelo Copom, ficando a taxa nominal em 12,75% em dezembro deste ano. Ao longo deste ano, serão realizados ao todo oito encontros do BC para avaliar a necessidade de aumento, manutenção ou redução de juros. No final de 2027, o Itaú projeta que a Selic siga acima de dois dígitos, em 11,75%.
No terceiro trimestre de 2025, o Itaú Unibanco obteve um lucro líquido de R$ 11,9 bilhões, o que corresponde a uma alta de 11,3% frente ao mesmo período de 2024.
Quando observados os nove primeiros meses de 2025, a instituição financeira controlada pela família Setubal/Moreira Salles acumula um ganho de R$ 34,5 bilhões de lucro. A projeção é que o banco tenha encerrado o ano passado com um lucro líquido de aproximadamente R$ 46 bilhões.
Segundo relatório do Itaú, “a desinflação segue concentrada nos bens comercializáveis, o que recomenda cautela na leitura do quadro inflacionário, uma vez que ciclos maiores/mais rápidos podem ter impacto negativo sobre a moeda — em um cenário de inflação de itens não comercializáveis ainda resiliente”.
Em um ambiente de juros altos o empresariado passa a reduzir ou paralisar os investimentos em produção, o que consequentemente afeta a geração de empregos formais no país, gerando desemprego. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) revelou nesta semana que o emprego industrial caiu 0,2% em novembro de 2025. Esse foi o terceiro mês consecutivo de queda, em que a acumula retração de 0,6%.
Outro indicador da CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) já registra o pior resultado para o mês em 10 anos, ao atingir os 48,5 pontos no mês de janeiro de 2026.
“O índice é o menor para o mês desde 2016. A principal explicação para a baixa confiança do empresário é a elevação do patamar da taxa de juros”, afirma o economista e gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
“A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, resume.











