Juro alto freia economia: “prévia” do BC aponta PIB de 2,5% em 2025

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

IBC-Br recuou -0,2% em dezembro, puxado pela queda de -0,3% em serviços

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou -0,2% em dezembro de 2025 em relação a novembro do mesmo ano (0,6%), puxado pela queda de -0,3% em serviços, conforme divulgado pelo Banco Central (BC), nesta quinta-feira (19). Já a indústria cresceu 0,3,% e a agropecuária 2,3%.

Com esses resultados, o indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou o ano de 2025 em alta de 2,5%, uma desaceleração em relação ao ano de 2024, quando o PIB cresceu 3,4%.

No ano passado, a evolução do PIB voltou a ser puxada pela agropecuária, que teve alta de 13,1% frente a 2024. Já a indústria e serviços mostram crescimentos de 1,5% e 2,1%, na ordem, resultados que ficaram abaixo do seus potenciais, devido aos juros altos do Banco Central encarecendo o custo do crédito e freando a demanda de bens e serviços do país.

O Produto Interno Bruto de 2025, calculado e divulgado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado no dia 3 de março deste ano.

De acordo com o IBGE, o último mês de 2025 foi marcado por quedas na produção da indústria (-1,2% – o pior desempenho para o mês desde 2019), no volume de serviços (-0,4%) prestados no país e nas vendas do comércio varejista tanto na modalidade restrita (-0,4%) como no ampliado (-1,2%), essa última considera as vendas de veículos, motos, peças e material de construção.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também mostra que o faturamento real da indústria de transformação caiu 1,2% em dezembro de 2025. Além disso, o indicador de Confiança do Empresário Industrial caiu 0,3 ponto em fevereiro, passando de 48,5 pontos para 48,2 pontos, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%.

A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, ressalta que “o patamar elevado das taxas de juros afeta a atividade industrial de algumas formas. Uma delas é por meio do encarecimento do crédito, tanto para empresários quanto para os consumidores. Isso desacelera a atividade econômica. Outra é por meio da formação de expectativas. Diante de uma política monetária mais apertada, os empresários tendem a projetar o enfraquecimento da economia lá na frente, impactando a projeção de demanda deles”..

Com o baixo desempenho dos principais setores da economia em dezembro, a expectativa é de que o resultado do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2025 varie próximo de zero frente à taxa de crescimento do terceiro trimestre do mesmo ano (0,1%) . No primeiro trimestre, o PIB cresceu 1,5%, puxado pela agropecuária; e no segundo, a alta foi de 0,3%.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *