“Desaceleração repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros real para o nível mais alto da última década”
O Ministério da Fazenda projeta que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil crescerá 2,3% em 2026. Em novembro, a estimativa era de 2,4%, segundo o “Balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026”, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), nesta sexta-feira (6). Para 2025, a previsão para o crescimento econômico passou de 2,2% para 2,3%.
Se confirmado, os resultados ficariam abaixo do crescimento a economia em 2023, ano em que o PIB cresceu 3,4%. A economia desacelera por impacto dos juros altos do Banco Central (BC). Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que decidiu manter o nível da Selic em 15%, um novo ciclo de redução da taxa básica de juros só deverá acontecer na reunião do colegiado em março.
Para o Ministério da Fazenda, “a desaceleração repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros real para o nível mais alto da última década. Como consequência dos juros altos, as concessões de crédito bancário desaceleraram ao longo do ano, afetando o desempenho da indústria, dos serviços e da absorção privada”.
A pasta também afirma que os juros altos contribuíram para elevação da inadimplência. “A inadimplência subiu como resultado das piores condições financeiras, impactando sobretudo as famílias”.
“O aumento da taxa básica de juros impactou de maneira relevante os juros das carteiras bancárias, reduzindo o ritmo de expansão interanual das concessões de crédito livre, sobretudo para empresas, e de crédito direcionado, principalmente para as famílias”, diz outro trecho do documento.
No mercado de trabalho, em 2025, “menos vagas foram criadas comparativamente a 2024, mas a taxa de desemprego continuou caindo,” diz a Fazenda, destacando que “o ritmo de expansão da população ocupada perdeu vigor a partir de meados do ano, porém a força de trabalho se reduziu no mesmo período, levando a taxa de desemprego para o menor patamar já registrado”.
A pasta projeta uma estabilidade no ritmo de crescimento econômico em 2026, por conta da continuidade da desinflação e uma possibilidade de redução nos juros básicos. Já os defensores da permanência do arrocho sobre os investimentos produtivos e de cortes em investimentos públicos (ou seja, os bancos) estimam que no final deste ano, após o Copom realizar corte do tamanho de grão de areia nos juros base, a Selic atinja o nível de apenas 12,5%. E, neste cenário, o mercado financeiro estima que o PIB deve crescer 1,8% em 2026.
O Ministério da Fazenda projeta que a indústria deve ter uma expansão de 2,3% no ano, alavancada pela produção extrativa. Com o encarecimento do custo de capital, devido aos juros altos, a produção física industrial cresceu apenas 0,6% em 2025, após a alta de 3,1% em 2024. A indústria de transformação, que compõem mais de 80% da indústria geral, registrou queda de 0,2% no ano passado. Em 2024, o setor havia crescido 3,7%.











