“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%”, afirma analista da CNI
Oito em cada dez empresários da indústria responsabilizam os juros elevados pela dificuldade de obter crédito de curto ou médio prazo no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), sobre as condições de acesso ao crédito em 2025.
Há pelo menos seis meses que a taxa básica de juros da economia (Selic) está 15% ao ano, o maior nível em 20 anos, por definição do Banco Central (BC). A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa Selic será em 27 e 28 deste mês, sendo o primeiro encontro de 2026, com os bancos pressionando pela manutenção dos juros.
No atual quadro de inflação baixa, o BC impõe ao setor produtivo uma taxa de juro superior a dois dígitos, como destaca a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro acaba desincentivando o investimento, a própria inovação e tende a reduzir o investimento em expansão de capacidade produtiva. Com isso a gente vai perdendo competitividade”, avalia Maria Colusso.
Além dos juros, o empresariado cita a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%) como entraves para se obter crédito de curto ou médio prazo no país. A pesquisa da CNI tem como base as opiniões de 1.789 empresas industriais, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes, que foram consultadas entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025.
No caso do crédito de longo prazo (acima de cinco anos), 71% dos empresários também apontaram os juros altos como o principal problema para se ter acesso ao financiamento. Nesta modalidade também foram citadas a exigência de garantias (31%) e a ausência de linhas compatíveis com seus projetos de investimento (17%).
A pesquisa da CNI também mostra que cerca de metade das empresas industriais não buscaram contratar ou renovar crédito durante o período de abrangência da pesquisa e quando analisado apenas aquelas que efetivamente buscaram contratar ou renovar crédito de curto prazo, a sondagem expõe que cerca de um quinto delas não conseguiu esse acesso ao financiamento.
- Alto patamar de juros freou busca ao crédito
- 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa
- 49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período
- 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo
- O percentual caiu para 17% no crédito de longo prazo
“O percentual de frustração está elevado. A gente está percebendo que o acesso está cada vez mais difícil. Quando a gente olha para o longo prazo, a gente percebe que esse acesso é ainda mais difícil. O percentual de frustração no longo prazo, ele cresce para cerca de um terço dessas empresas industriais, e isso é independentemente do porte delas”, explica Colusso.
No recorte por porte de empresa, o percentual de frustração na obtenção de crédito de longo prazo chegou a 43% entre as médias indústrias. Em segundo estão as pequenas empresas pequenas (37%), seguidas pelas grandes (27%). Na procura por crédito de curto ou médio prazo, a frustração atingiu 26% das médias empresas, 21% das pequenas e 16% das grandes.
No caso das empresas industriais que relataram ter conseguido acesso ao crédito ou renovar esse crédito, um terço destas conseguiu em condições piores ou muito piores do que as que conseguiam anteriormente. Para 35% das empresas industriais que renovaram crédito de curto prazo ou médio prazo no período afirmam que as condições de acesso, como taxas de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, ficaram piores ou muito piores entre fevereiro e julho de 2025. No caso do crédito de longo prazo, 33% das indústrias tiveram a mesma avaliação.
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