“Juro nesse patamar sabota o crescimento do Brasil”, afirma Orlando

Deputado federal Orlando Silva (Foto: Richard Silva - PCdoB na Câmara)

“É um sequestro do orçamento federal” e é o “grande problema das contas do país”. “Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a uma sangria de R$ 55 bilhões aos cofres públicos”, argumentou o deputado federal do PCdoB-SP

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que os juros altos mantidos pelo Banco Central são “verdadeira sabotagem do crescimento econômico” do país e “sequestro do orçamento federal”.

As declarações do parlamentar foram feitas em artigo publicado na revista CartaCapital.

A taxa básica de juros (Selic) estava em 15% ao ano, a maior desde 2006. Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu manter o taxa Selic nas alturas e reduziu apenas 0,25 ponto percentual, ficando agora em 14,75%. A nova taxa aponta para um juro real – descontada a inflação – ainda acima dos 10%, mantém o Brasil como o país com o segundo maior juro real do mundo, segundo análise do MoneYou.

Na avaliação de Orlando Silva, não há argumento que sustente os juros no patamar altíssimo em que eles se encontram – o segundo maior do mundo.

A inflação acumulada de 12 meses em fevereiro de 2026 foi de 3,81%, ainda menor do que os 4,26% do ano de 2025.

“Por outro lado, a economia cresceu modestos 2,3% no ano passado, sendo que no último trimestre o saldo foi vegetativo, de 0,1%. Ou seja, o garrote prolongado da política monetária tem surtido efeito de verdadeira sabotagem do crescimento econômico”, destacou o parlamentar.

“A manutenção dos juros nesse patamar vai destruir as chances de crescimento econômico em 2026”, uma vez que é um incentivo contrário aos investimentos na produção.

“Quem vai investir em uma planta industrial se os juros reais, descontada a inflação, são de 10%? Ninguém! O resultado é que, enquanto a indústria segue definhando e diminuindo sua participação no PIB, o rentismo faz a festa da multiplicação de dinheiro sem produzir um prego”, continuou.

Orlando Silva ainda apontou que o pagamento de R$ 1,16 trilhão em juros da dívida em 2025 significa “um sequestro do orçamento federal” e é o “grande problema das contas do país”.

“Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a uma sangria de R$ 55 bilhões aos cofres públicos”, informou.

Ele ainda comentou que os juros altos impactam diretamente a vida das pessoas em diversos aspectos, como ao dificultar financiamentos imobiliários.

“O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) é a principal fonte de financiamentos imobiliários do país, a partir de recursos da poupança. A Selic alta torna mais cara a captação de dinheiro para o financiamento da moradia popular, elevando os juros desse crédito, inclusive na Caixa Econômica Federal, que tem papel central na habitação”, disse.

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