Queda de 1,6% foi a maior desde julho de 2024. No ano de 2025, o setor ficou positivo em 0,6%
A produção industrial brasileira caiu 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025 e encerrou o ano em 0,6%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. Em novembro, a produção industrial caiu 0,2% (revisada), após divulgação de que o resultado foi de estabilidade (0,0%).
O resultado de dezembro foi a maior queda desde julho de 2024 (-1,5%) e veio em linha com o aumento das taxa de juros (Selic) imposto pelo Banco Central que inibiram os investimentos e reduziram os consumo das famílias. Desde setembro de 2025, o aumento da taxa Selic acentuou o resultado negativo no final do ano passado, acumulando para a indústria no período uma perda de 1,9%. A média móvel trimestral em dezembro foi de -0,5%.
“Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, avaliou André Macedo, gerente da pesquisa.
Em 2023, a indústria ficou praticamente estagnada em 0,1%e voltou a crescer em 2024, com alta de 3,1%.
Durante o ano de 2025, a produção industrial brasileira só cresceu em dois meses: janeiro (-0,1%), fevereiro (0,0%), março (+1,7%), abril (-0,7%), maio (-0,6%), junho (0,0%), julho (-0,2), agosto (+0,7%), setembro (-0,5%), outubro (0,0%), novembro (-0,2%) e dezembro (-1,2%)
Em 2025, o principal destaque foi o setor extrativo. “O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, segundo Macedo.
Com o resultado de dezembro, a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Em relação a dezembro de 2024, a indústria total cresceu 0,4%. Em relação ao ano de 2024, o avanço de 0,6%, ocorreu em duas das quatro grandes categorias econômicas, 15 dos 25 ramos, 42 dos 80 grupos e 49,6% dos 789 produtos pesquisados.
O IBGE destaca que as principais influências positivas ao longo do ano vieram de indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%).
Por outro lado, entre as dez atividades com redução na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,3%) exerceu a maior influência na formação da média da indústria.
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (2,5%) e de bens intermediários (1,5%) tiveram resultados positivos. No vermelho fircam os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens de capital (-1,5%).
DEZEMBRO
Em dezembro de 2025, frente a novembro, a queda foi generalizada: as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (17) dos 25 ramos pesquisados tiveram recuo na produção. “Dezembro mostrou um perfil disseminado de taxas negativas. Este espalhamento de 17 atividades em queda é o maior desde setembro de 2022, quando foram 19”, destaca Macedo.
De acordo com o IBGE, “a atividade de veículos automotores foi a que exerceu maior pressão negativa na passagem de novembro para dezembro”. “A queda de 8,7% é a maior para essa atividade desde maio de 2024 (-11,6%). Há um movimento de perda generalizada dentro desta atividade, com queda em automóveis, caminhões, autopeças”, disse.
Além de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%) também tiveram importantes, “com as duas primeiras marcando dois meses seguidos de queda na produção, período em que acumularam perdas de 10,4% e 7,4%, respectivamente; e a última eliminando a expansão de 3,5% acumulada no período agosto-novembro de 2025”.
Entre as 8 atividades que resgistraram resultados positivos estão: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,4%), interrompendo três meses seguidos de queda, com perda acumulada de 5,0%.
Em dezembro de 2025, na mesma comparação, todas as 4 grandes categorias econômicas tiveram queda na produção: bens de capital (-8,3%), bens de consumo duráveis (-4,4%), bens intermediários (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%).











