Para a autarquia, “resiliência” do setor é problema e precisa ser derrubada. Em 2025, serviços fechou o ano com alta de 2,8%, após crescer 3,1% em 2024
O volume de serviços no Brasil cresceu 2,8% no ano de 2025, após queda de -0,4% em dezembro, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (13). Em 2024, o setor de serviços cresceu 3,1%. Em 2023, a alta foi de 2,9%.
A queda do indicador de serviços em dezembro se deu após estagnação no mês de novembro (0%, dado revisado de -0,1%). O resultado do último mês de 2025 é a maior queda mensal registrada pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) desde novembro de 2024, quando foi de 1,4%. Com o desempenho de dezembro, os serviços estão 0,4% abaixo do pico histórico da pesquisa.
Na passagem de novembro para dezembro também houve queda na receita nominal, recuou –0,7%, o que retira parte dos ganhos obtidos em novembro (+0,5). No ano, a receita subiu 7,5%.
A desaceleração no ritmo de crescimento dos serviços, responsável por cerca de 70% do PIB, acompanha o descenso da economia brasileira, que impactada pelos juros altos do Banco Central (BC) deve encerrar o ano de 2025 com um crescimento de 2,3%. A projeção é do Ministério da Fazenda, o que é abaixo dos resultados do PIB (Produto Interno Bruto) de 2024 e 2025, altas de 3,2% e 3,4%, respectivamente.
Na passagem de novembro para dezembro de 2025, três das cinco atividades de serviços tiveram queda, com destaques para transportes, com taxas negativas em todos os segmentos: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%).
Outros serviços (3,4%) e serviços profissionais e administrativos (0,3%) também assinalaram resultados negativos no mês. Do lado das taxas positivas, ficaram informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%).
No acumulado de 2025, as principais contribuições vieram de: serviços de informação e comunicação (5,5%), profissionais e administrativos (2,6%) e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%).
No ano todo de 2025, os serviços prestados às famílias cresceram 1,1%. Já a modalidade outros serviços caiu -0,5%.
A pretexto de combater a inflação, o BC impôs ao país e à economia brasileira um dos maiores juros reais do planeta. Os juros altos atingiram em cheio a produção industrial, as vendas do comércio, a renda dos trabalhadores, ou seja, inibiram os investimentos, a geração de empregos e o consumo das famílias.
O setor de serviços, que teve no ao 2025 nove meses seguidos de resultados positivos, é considerado pelo BC como um setor “resiliente” à sua política de arrocho monetário e, portanto, o juro seguirá em patamar elevado “por um período bastante prolongado”.











