Corte de Apelação de Roma suspende mais uma vez definição sobre envio da ex-deputada ao Brasil. Defesa e governo se enfrentam em tribunal após sucessivos adiamentos
Prevista para esta terça-feira (20), a audiência que decidiria se a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) será extraditada da Itália para o Brasil foi novamente adiada pela Corte de Apelação de Roma.
O tribunal romano de segunda instância afirmou que não houve tempo suficiente para analisar toda a documentação relativa ao pedido de extradição, e assim postergou a conclusão do julgamento para a primeira quinzena de fevereiro de 2026.
A sessão, que começou na manhã desta terça-feira, marcou mais um capítulo da série de adiamentos que já se estendem desde novembro de 2025. Inicialmente, o julgamento estava previsto para 27 de novembro do ano passado, mas greves no Judiciário italiano e a inclusão de novos documentos pela defesa e pelas autoridades brasileiras levaram às sucessivas remarcações.
“Não houve tempo o bastante para analisar as informações enviadas pelo governo brasileiro”, afirmou o tribunal ao justificar o novo adiamento, segundo reportagens publicadas hoje.
CONDENAÇÕES
Zambelli, que está presa no complexo de Rebibbia, em Roma, aguarda a definição sobre o destino dela. Caso seja autorizada a extradição, ela deverá cumprir no Brasil as penas impostas por condenações pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o que inclui o envolvimento dela na invasão hacker ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e outros crimes.
A defesa de Zambelli buscou convencer os juízes de que ela deveria permanecer na Itália. Argumenta que poderá haver enquadramento de crimes similares ao ordenamento penal italiano, conforme informações de correspondentes no local.
O Ministério Público italiano, por sua vez, já se manifestou favorável à extradição no ano passado. A Corte de Apelação tem agora até fevereiro para reavaliar todos os documentos apresentados pela defesa e pelo governo brasileiro antes de retomar a decisão sobre o destino da ex-deputada.
Até o momento, nem a Corte italiana, nem os advogados de Zambelli divulgaram novos prazos definitivos para possível conclusão do caso, o que alimenta incertezas sobre quando a ex-parlamentar poderá ser enviada ao Brasil para cumprir pena.
CONTEXTO DO CASO
Zambelli foi condenada no Brasil por crimes como invasão de sistemas informáticos e está afastada do mandato de deputada federal.
Após deixar o País, foi presa em solo italiano em julho de 2025, enquanto aguardava decisão sobre a extradição.
POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO
O STF também condenou, por maioria de votos, a deputada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A decisão foi tomada na sessão virtual encerrada em 22 de agosto de 2025.
A pena fixada foi de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa correspondente a 400 salários-mínimos vigentes à época dos fatos (2022), com devida atualização monetária.
A decisão também determinou a perda do mandato parlamentar, a ser efetivada após o trânsito em julgado da condenação (quando não houver mais possibilidade de recurso).
ABUSO DE PODER
Em 30 de janeiro de 2025, Zambelli teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral de São Paulo, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Além de perder o cargo, a parlamentar foi condenada à inelegibilidade por oito anos a partir das eleições de 2022.
Por 5 votos a 2, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) paulista entendeu que Zambelli violou os limites da liberdade de expressão ao publicar informações falsas sobre fraudes eleitorais em 2022.
A ação contra a parlamentar foi movida pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSol-SP). Ela ainda pode recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mas tem pouquíssima chance de reverter a decisão da corte regional eleitoral.











