Kassio Nunes Marques viajou em jato pago por advogada do Master

Ministro Kassio Nunes Marques (Foto: Fellipe Sampaio - STF)

Viagem de Kassio em aeronave paga por advogada ligada ao Banco Master expõe promiscuidade entre o ministro indicado por Bolsonaro e o poder econômico

A revelação de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Nunes Marques, voou em aeronave privada custeada por advogada com interesses vinculados ao Banco Master escancara promiscuidade entre o ministro indicado por Bolsonaro e o poder econômico.

As informações são dos repórteres Gustavo Côrtes, Aguirre Talento e Vinícius Valfré, do Estadão.

A viagem ocorreu em novembro de 2025, quando o ministro seguiu de Brasília a Maceió acompanhado da mulher, a convite da advogada Camilla Ewerton Ramos.

Segundo o próprio magistrado, coube a ela organizar e custear integralmente o voo, realizado em aeronave executiva administrada por empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A justificativa: a celebração de aniversário da advogada.

A explicação formal, embora juridicamente possível, é politicamente insuficiente. Não se trata apenas de quem pagou a conta, mas do contexto em que àquela foi paga. E de quem se beneficia dessa proximidade.

CONEXÕES QUE INQUIETAM

Os registros de embarque indicam que, além do ministro, também estavam no mesmo voo a própria advogada, o marido dela — o desembargador Newton Ramos — e outros convidados.

A aeronave, jato executivo com capacidade para até 17 passageiros, integra a estrutura empresarial associada a Vorcaro, figura central no comando do banco.

O episódio, isoladamente, já levantaria questionamentos. Mas esse ganha contornos mais preocupantes ao se somar a outros elementos: relações profissionais envolvendo familiares do ministro com empresas conectadas ao banco, além de registros de comunicação entre o magistrado e o próprio banqueiro.

O que emerge não é irregularidade comprovada, mas padrão de proximidade que desafia os limites éticos esperados de integrante da mais alta Corte do País.

Ainda que os contextos variem, o padrão se repete: o uso de estruturas privadas vinculadas a interesses econômicos por agentes públicos que deveriam manter distância institucional desses mesmos interesses.

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