Latrinas entupidas do mais novo porta-aviões nuclear dos EUA complicam missão no Irã, revela WSJ

Enchente de fezes em banheiro do porta-aviões retirado às pressas das proximidades do Irã (Redes Sociais)

O maior, mais caro e mais novo porta-aviões nuclear dos Estados Unidos, o USS Gerald Ford, recém enviado por Trump para ameaçar o Irã, neste momento encontra-se ancorado na Ilha de Creta, Grécia, para tentar amenizar um mui sério problema: deu tilt na encanação, os banheiros estão entupidos e a marujada tem de esperar até 45 minutos pela sua vez.  

A questão vem preocupando alguns dos principais veículos de mídia dos EUA, como The Wall Street Journal e a NPR, a rádio pública norte-americana.

“Imagens do mais novo superporta-aviões da Marinha dos EUA, o USS Gerald Ford, em 24 de fevereiro, mostraram uma grande enchente de esgoto bruto fluindo pelo navio, após problemas persistentes de vasos sanitários entupidos e refluxo de esgoto”, noticiou o Military Watch. “Isso ocorre após anos de relatos de que os canos estreitos do navio frequentemente foram bloqueados, causando falhas nos sistemas de esgoto em todo o navio”, acrescentou.

É um problema reincidente, apesar de o USS Gerald Ford ter custado US$ 17,5 bilhões. De acordo com um memorando interno de engenharia, datado de 18 de março do ano passado, em apenas quatro dias mais de 205 falhas em banheiros foram registradas na embarcação.

Em resumo, o porta-aviões mais caro da história e projetado para mostrar o poderio americano, não consegue fornecer saneamento básico para sua própria tripulação. O problema voltou a se repetir em janeiro, quando o porta-aviões estava posicionado diante da Venezuela e encabeçou a operação de sequestro do presidente Maduro.

Esclarece o WSJ que o sistema de esgoto do Gerald Ford utiliza “tecnologia de vácuo” para transportar resíduos de cerca de 650 vasos sanitários a bordo e o problema decorre de “uma falha de projeto e engenharia no sistema de vácuo”.

Qualquer problema com um vaso pode fazer com que todos os vasos sanitários daquela parte do navio percam sucção, registrou a NPR.

A falha mecânica desencadeou discussões acaloradas entre a marujada e os especialistas em esgoto a bordo, conhecidos como “técnicos de casco” e que reclamam de estarem tendo de trabalhar 19 horas por dia para detectar e consertar vazamentos.

Um chefe de engenharia teria reclamado que os marinheiros estão “maltratando e danificando” o sistema todos os dias. “De camisetas a cordas, a equipe encontrou diferentes itens entupindo o vaso. O problema mais comum era a parte de trás do vaso sanitário se soltando.”

O USS Gerald Ford está no mar desde junho passado. Em outubro, o Pentágono redirecionou o navio de guerra para o Caribe para apoiar a investida contra a Venezuela. Apesar de haver manutenção programada em Norfolk, no início do ano a tripulação foi comunicada de que destacamento seria estendido novamente, do Caribe para o Oriente Médio, informou o WSJ.

Nessa complexa situação, talvez seja de bom alvitre aumentar a provisão de fraldões a bordo do USS Gerald Ford, para que nenhum marujo seja pego desprevenido à chegada de um míssil iraniano.

Para o Military Watch, os banheiros entupidos não são o único problema de projeto do USS Gerald Ford, que afetam também seus elevadores de armas, catapultas eletromagnéticas  e sensores. “Um relatório do Projeto sobre Supervisão Governamental referiu-se ao programa como um exemplo de ‘como não construir um navio’, com radares se mostrando suficientemente falhos para que se decidisse que um conjunto de sensores totalmente novo precisaria ser desenvolvido para futuros navios da classe Gerald Ford.”

MARUJADA ESTRESSADA

Em tempos de paz, os desdobramentos em porta-aviões geralmente duram seis meses, disse Mark Montgomery, contra-almirante aposentado, ao WSJ. Os marinheiros do Ford já estão fora de casa há oito meses, o que leva a uma possível missão de 11 meses, disse ele. O que quebraria o recorde de destacamento contínuo por um navio da Marinha dos EUA.

Segundo o WSJ, muitos marinheiros no Ford são homens e mulheres na casa dos 20 anos. Alguns perderam o funeral de pessoas próximas, outros o nascimento de seus filhos. Um marinheiro a bordo do Ford disse que muitos tripulantes estão “irritados e chateados”, com alguns até considerando deixar a Marinha ao final da missão. Implantações longas também podem impactar os próprios navios, os equipamentos começam a quebrar, enquanto manutenções e modernizações planejadas há muito tempo precisam ser adiadas, acrescentou Montgomery.

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