O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), participou de transações milionárias entre seu escritório de advocacia e fundos do entorno do Banco Master em 2019, quando já estava no cargo, aponta documento divulgado pelo jornal O Globo.
Ibaneis dizia que estava afastado do escritório desde 2018, mas essa versão é contraditada pela participação do governador em um contrato do ano seguinte.
Nos três contratos dos quais se têm informação, o escritório de Ibaneis Rocha recebeu R$ 12 milhões.
Em dezembro de 2019, o bolsonarista Ibaneis Rocha assinou como “avalista”, ou seja, como um garantidor, da venda de R$ 4,4 milhões em direito sobre honorários de precatórios para um fundo da Planner, que era controlada por Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro.
O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria tinha esses valores a receber referentes a um processo. Em vez de esperar o governo pagar os precatórios, optou por vender esse crédito por um valor inferior, que é pago imediatamente.
Pelo lado do fundo controlado pela Planner, o BLP PCJ VII, quem assina é Artur Martins de Figueiredo, que aparece nas investigações sobre o escândalo do Banco Master.
Os honorários que foram vendidos eram referentes a uma ação do Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho dos Estados de Rondônia e Acre (Sinjustra) e que tramita desde 2011.
A assinatura de Ibaneis Rocha como avalista no contrato teve sua autenticidade reconhecida no no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília, mais conhecido como Cartório JK.
O governador Ibaneis também assinou outro contrato similar com a Reag Investimentos em 2023, no valor de R$ 10 milhões. A Reag, de acordo com as investigações da PF, era uma peça fundamental no esquema de fraudes e lavagem de dinheiro do Master. Nesse caso, o escritório disse que a assinatura de Ibaneis foi feita digitalmente por uma gerente.
Em maio de 2024, a Ibaneis Advocacia e Consultoria voltou a vender outros R$ 38 milhões em honorários de precatórios para a Reag.
No mesmo ano, o Banco de Brasília (BRB), estatal do governo do DF, começou a comprar títulos do Banco Master, em operações que chegaram a R$ 8 bilhões. Mais tarde, o BRB tentou comprar o Master por R$ 12 bilhões, o que foi barrado.











