Após ataques dos EUA à Venezuela, defesa da soberania nacional e da América Latina também estará presente, avaliam líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um ato em Brasília em defesa da democracia e da soberania nacional, nesta quinta-feira, dia 8 de janeiro, para marcar os três anos dos fracassados ataques golpistas.
Os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 atingiram o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. O objetivo dos golpistas era causar caos para justificar um golpe contra o recém-empossado presidente Lula.
O PT também convocou atos por todo o país no dia 8 em defesa da democracia e da soberania brasileira.
Diante da agressão de Trump contra a Venezuela e o seqüestro do presidente Nicolás Maduro, dirigentes do partido defendem que a defesa da soberania do Brasil e da América Latina esteja presente nas manifestações.
“A cerimônia tem esse duplo significado: a defesa da democracia e da soberania. E o que vale para o Brasil vale para a América Latina. O ato ganha um simbolismo muito grande num momento em que acontece o que aconteceu na Venezuela. O ato tomou essa nova conotação”, diz o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirma que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques na Venezuela e serão “complementares” na cerimônia.
“O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e a prisão dos criminosos golpistas. Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1”, diz Boulos.
Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e David Alcolumbre, respectivamente, não confirmaram presença na solenidade.
Não está confirmado, mas Lula deve vetar neste dia o projeto – chamado de “dosimetria” – aprovado na Câmara e no Senado que, na prática, deixa os golpistas impunes, especialmente Bolsonaro.
8 DE JANEIRO
O 8 de janeiro foi o ápice dos atos golpistas. Para impedir a posse de Lula, antes, fizeram bloqueios criminosos de rodovias no país, montaram acampamentos nas portas dos quartéis do Exército, pressionando por golpe, e até prepararam uma bomba para explodir perto do aeroporto de Brasília. Além disso, atacaram a sede da Polícia Federal em Brasília, após incendiar carros e ônibus nas vias brasilienses. Implantaram o terror para não aceitar a derrota nas eleições de 2022.
Os golpistas orquestraram pressões contra as Forças Armadas liderados pelo derrotado Jair Bolsonaro. Em dezembro, ele apresentou uma minuta de golpe contra a democracia aos comandantes militares. Foi rechaçado pelo então comandante do Exército, general Freire Gomes, e pelo então comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Júnior. Apenas o almirante Almir Garnier apoiou.
Depois cartas e textos apócrifos, apoiados por Bolsonaro, circularam pressionando as Forças Armadas a aderirem ao golpe. Não obtiveram êxito.











