A saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, do governo federal reabre uma das frentes mais sensíveis do terceiro mandato do presidente Lula (PT): o comando da política de justiça e segurança pública.
A exoneração, confirmada pelo Palácio do Planalto, encerra ciclo marcado pela tentativa de reconstrução institucional após os ataques golpistas de 8 de janeiro e pela busca de reposicionamento do governo no enfrentamento ao crime organizado.
Por meio de carta, Lewandowski escreveu que deixa o cargo após cumprir a missão de Estado. “Atuei em um momento delicado da vida democrática do País, sempre com espírito público, responsabilidade institucional e absoluto respeito à Constituição”, escreveu.
Auxiliares do governo ressaltam que a saída foi negociada e não decorre de crise pontual, mas reconhecem que o momento político amplia o peso da decisão.
INTERINIDADE E CAUTELA NO PLANALTO
Diante da vacância, Lula optou por nomear ministro interino da Justiça, enquanto avalia mudanças mais amplas na estrutura do governo. A decisão sinaliza prudência e indica que o presidente não pretende tratar a sucessão como mera substituição administrativa.
Segundo interlocutores do Planalto, a definição do novo titular está diretamente ligada ao debate sobre o redesenho da área de segurança.
“Não é só escolher um nome. Trata-se de decidir qual modelo de política de segurança o governo quer adotar e como isso dialoga com o Congresso e com os Estados”, afirmou assessor presidencial.
FUTURA PASTA DA SEGURANÇA PÚBLICA
A proposta de desmembrar a área de segurança do Ministério da Justiça ganhou força após a saída de Lewandowski e passou a ser vista como oportunidade de reorganização política e administrativa da Esplanada.
Dirigentes petistas defendem que a nova pasta tenha comando político forte e alinhamento direto com o projeto do governo.
“Segurança pública não pode ser tratada apenas como tema técnico. É uma política estratégica, que precisa estar sob liderança comprometida com o programa eleito nas urnas”, afirmou dirigente do partido, sob reserva.
PRESSÃO E RECADO
A movimentação ocorre em meio à pressão crescente por resultados concretos na área de segurança e à necessidade de recompor alianças no Congresso Nacional.
Para aliados de Lula, a eventual criação de novo ministério pode cumprir dupla função: dar maior foco ao enfrentamento do crime organizado e abrir espaço para rearranjos políticos na Esplanada.
Parlamentar governista ponderou, porém, que a decisão exige cautela. “Há uma cobrança legítima da sociedade por respostas, mas também o risco de fragmentar demais a estrutura do Estado. O governo precisa equilibrar eficiência administrativa e governabilidade”, afirmou.
CENÁRIO E PRÓXIMOS PASSOS
A saída de Lewandowski insere-se em contexto mais amplo de ajustes no governo Lula.
O Planalto trabalha com a possibilidade de anunciar, nas próximas semanas, tanto o nome definitivo para o Ministério da Justiça quanto a decisão sobre a criação — ou não — do Ministério da Segurança Pública.
Leia a íntegra da carta de Lewandowski:
“Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
1. Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026.
2. Tenho a convicção de que exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos.
3. Ressalto que tive o privilégio de continuar servindo ao País — depois de aposentar-me como Ministro do Supremo Tribunal Federal — sob a inspiradora liderança de Vossa Excelência, sempre comprometida com o progresso e o bem-estar de todos os brasileiros.
4. Agradecendo o permanente estímulo e apoio com que fui honrado ao longo desses quase dois anos à frente da Pasta, aproveito o ensejo para reiterar minha manifestação de elevado apreço e distinta consideração.
Respeitosamente,
RICARDO LEWANDOWSKI
Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública”











