Maduro declara no Tribunal: “sou um presidente sequestrado, inocente e prisioneiro de guerra”

Maduro e a esposa Cilia chegam ao Tribunal em Nova Iorque. (foto: Eduardo Munoz/Reuters)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados nesta segunda-feira (5) perante um tribunal federal em Nova York, onde ouviram as acusações contra eles e se declararam inocentes, no início de um processo judicial que pode levar meses até chegar a julgamento.

Em sua primeira aparição pública desde que foi sequestrado pelas forças armadas dos EUA no sábado (3), em uma ação que críticos dentro e fora dos Estados Unidos descrevem como uma violação do direito internacional, Maduro e sua esposa ouviram as acusações de tráfico de drogas contra eles.

A audiência é um trâmite da Justiça norte-americana, no qual réus devem comparecer para ouvir formalmente por que estão sendo julgados. Agora, o juiz responsável pelo caso marcou uma nova audiência para 17 de março, na qual Maduro e sua esposa prestarão depoimento.

O juiz federal Alvin Hellerstein, nomeado para o cargo pelo então presidente Bill Clinton, emitiu uma decisão há alguns meses contra o uso, pelo governo Trump, de uma lei antiga para deportar imigrantes venezuelanos. Ele já havia presidido casos envolvendo o atual presidente dos EUA. O juiz leu as acusações da denúncia e informou sobre seus direitos legais.

O juiz pediu ao casal que se declarasse culpado das acusações, às quais ambos se declararam inocentes. Mas Maduro também aproveitou sua primeira oportunidade para falar em público para declarar-se “Presidente Constitucional da República Bolivariana da Venezuela” e afirmou que “fui sequestrado” e “me considero um prisioneiro de guerra”, solicitando, portanto, a aplicação da Convenção de Genebra neste caso.

O juiz o interrompeu para informá-lo de que haveria outra oportunidade para tudo isso. Em resposta Maduro declarou: “Sou inocente, não sou culpado de nada do que foi dito aqui”. Flores, que se identificou como a “primeira-dama” da Venezuela, também afirmou ser “completamente inocente”.

Com um claro conteúdo ilegal e intervencionista, a acusação criminal foi inicialmente elaborada em 2020, durante o primeiro mandato presidencial de Trump, e foi recentemente “atualizada” pelo Departamento de Justiça. Sem provas, documentos, testemunhas, a acusação alega que Maduro chefia “um governo corrupto e ilegítimo que, por décadas, usou o poder governamental para proteger e promover atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas”.

A acusação inclui quatro crimes: “conspiração para o narcoterrorismo”, importação de cocaína, posse de metralhadoras e outros “instrumentos destrutivos”.

Ele afirma que Maduro era parceiro de “narcoterroristas” incluindo o cartel de Sinaloa, os Zetas, o Tren de Aragua, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional.

O casal venezuelano foi transportado de helicóptero da prisão federal do Brooklyn, sob a guarda de agentes armados da DEA, para o Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, em Manhattan, onde chegaram pouco depois das 7 h da manhã para aguardar sua primeira audiência às 12h.

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