“BC esperava, exerceu e trabalhou para diminuir o ritmo de crescimento”, disse o ministro do Trabalho
O Brasil encerrou o ano de 2025 com saldo positivo de 1,27 milhão de empregos formais, segundo o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, nesta quinta-feira (29). O saldo é resultado de 26,59 milhões de admissões e 25,32 milhões de desligamentos ao longo do ano passado.
Na coletiva à imprensa, Marinho ressaltou as tentativas de diálogo com o Banco Central sobre os juros elevados que provocam a “desaceleração do ritmo de crescimento da economia”, afetando a geração de empregos no país.
“Procurei dialogar com o Banco Central, insistia que nós íamos ter um processo de diminuição da velocidade e isso acabou acontecendo”, disse o ministro. “Na verdade, o Banco Central esperava, exerceu e trabalhou para diminuir o ritmo de crescimento”, além de “queimar o Orçamento para pagar juros. Isso é um drama”.
De acordo com Marinho, “quem tem dinheiro em caixa, é mais tranquilo investir, sem risco, em títulos públicos. Quem tem que tomar recurso atrasa os investimentos para pagar menos juros, isso leva a um processo de desaceleração do ritmo da economia”. “Não se justifica, é o segundo juro real mais alto do mundo”, frisou o ministro, criticando a manutenção da taxa Selic pelo Banco Central em 15% na reunião do Comitê de Política Monetária ontem (28/1), por mais três meses, “podemos estar comprometendo um grande pedaço do ano por responsabilidade exclusiva do BC”.
Em 2025, o estoque de trabalhadores com carteira assinada ao longo do ano passou de 47.194.850 vínculos em 2024 para 48.474.348 em 2025, um crescimento de 2,71%.
Todas as 27 Unidades da Federação registraram saldos positivos na geração de empregos com carteira assinada no ano passado: São Paulo criou 311.228 postos no ano (crescimento de 2,17%), seguido por Rio de Janeiro (+100.920 ou 2,60%) e Bahia (+94.380 ou 4,41%). As maiores taxas proporcionais de crescimento foram observadas no Amapá (8,41%), Paraíba (6,03%) e Piauí (5,81%).
Os cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O setor de Serviços liderou a geração de empregos no país, com saldo positivo de 758.355 empregos (+3,29%), impulsionado principalmente pelas áreas de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (+318.460 ou 3,12%) e de Administração Pública, Defesa e Seguridade Social, Educação, Saúde e Serviços Sociais (+194.903 ou 3,12%).
O Comércio registrou saldo positivo de 247.097 postos formais (+2,3%), a Indústria criou 144.319 empregos (+1,6%), com destaque para os segmentos de Fabricação de Produtos Alimentícios (+49.039) e Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos (+17.021). O setor da Construção gerou 87.878 postos formais no ano (+3,1%), e a Agropecuária apresentou saldo positivo de 41.870 empregos (+2,3%).
De acordo com os dados de rotatividade dos últimos doze meses, que consideram os desligamentos ajustados, com exclusão de óbitos, aposentadorias e demissões voluntárias, a taxa de rotatividade do emprego formal passou de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, destacou Marinho
DEZEMBRO
Em dezembro, mês em que historicamente há retração na geração de emprego, o saldo ficou negativo em menos 618.164 postos de trabalho, atingindo todas as cinco grandes categorias e todos as 27 Unidades da Federação. As maiores perdas ocorreram em São Paulo, com –224.282 postos (–1,51%), Minas Gerais, com –72.755 (–1,44%), e Paraná, com –51.087 vagas (–1,52%).
No último mês do ano, o maior impacto negativo foi no setor de Serviços, que perdeu 280.810 postos de trabalho (–1,17%). A Indústria apresentou queda de 135.087 vagas, seguida pela Construção (-104.077), o Comércio (-54.355) e a Agropecuária (-43.836).
SALÁRIO
O salário médio real de admissão em dezembro de 2025 foi de R$ 2.303,78, registrando leve recuo em relação a novembro de 2025, quando o valor era de R$ 2.315,44, uma variação negativa de R$ 11,86 (–0,51%).
Na comparação com dezembro do ano anterior, já descontados os efeitos sazonais, o indicador apresentou aumento de R$ 57,18, o que corresponde a uma alta de 2,55%.











