Master: ex-presidente do Rioprevidência nomeado por Castro é preso pela PF

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira (3). Ele havia sido exonerado às pressas há poucos dias pelo governador Cláudio Castro, seu padrinho político. (Foto: Divulgação Codin)

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira (3), em uma operação que apura o aporte irregular de quase R$ 1 bilhão da autarquia estadual no Banco Master, que realizava fraudes fiscais. Indicado pelo governador bolsonarista Cláudio Castro (PL), Deivis presidia o Rioprevidência desde 2023, mas foi exonerado às pressas em 23 de janeiro de 2026, em edição extraordinária do Diário Oficial do Rio de Janeiro de uma sexta-feira, em uma tentativa de Castro de afastar de si a investigação da Polícia Federal.

Deivis foi preso na Via Dutra, enquanto ia de São Paulo para o Rio de Janeiro.

O fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro, por ele presidido até o dia 23 de janeiro, aplicou R$ 970 milhões em títulos financeiros do Banco Master. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores estaduais.

Quando a PF realizou a primeira fase da Operação Barco de Papel, investigando o aporte quase bilionário do fundo no Master, Deivis já estava fora do Brasil. Ele renunciou ao cargo no mesmo dia da operação, em 23 de janeiro.

Mesmo com Deivis Antunes fora do Brasil, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua residência, onde foram apreendidos documentos, um pendrive, um relógio, um carro e R$ 7 mil em espécie.

A Polícia Federal entende que o presidente da autarquia estadual retirou documentos do apartamento e manipulou provas digitais. Deivis também teria retirado do local dois carros de luxo para que não fossem apreendidos. 

A avaliação dos investigadores é que ele tentou destruir provas e blindar o patrimônio.

A ordem de prisão foi decretada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Outros dois alvos de mandados de prisão não tiveram suas identidades reveladas e continuam foragidos.

Ao longo da terça-feira (3), a Polícia Federal realizou buscas em nove endereços ligados aos investigados no Rio de Janeiro e Santa Catarina. Entre os investigados estão o ex-diretor de Investimentos, Euchério Lerner Rodrigues, e o gerente de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) indicou uma “notável coincidência” entre a mudança, em 2023, no quadro de dirigentes do Rioprevidência e o início dos aportes no Banco Master. Naquele momento, Deivis assumia a direção da autarquia.

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