Psicopatas americano-israelenses se aperfeiçoaram no “ataque duplo”: bombardeia, aguarda, deixa os sobreviventes se juntarem e a chegada dos socorristas, e aí fecha a fatura
Paramédicos e parentes das 175 vítimas do massacre na escola primária Shajareh Tayyebeh, de Minab, no sul do Irã, revelaram que o bombardeio foi o assim chamado ataque aéreo de “duplo toque” — tática criminosa usada pelos EUA e Israel, pela qual atacantes bombardeiam um alvo, esperam um pouco, e depois desfecham um segundo ataque destinado a exterminar sobreviventes e socorristas.
“Quando a primeira bomba atingiu a escola, um dos professores e o diretor levaram um grupo de alunos para o salão de oração para protegê-los”, disse um dos dois paramédicos da Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano que falaram ao Middle East Eye sob condição de anonimato.
“O diretor ligou para os pais e disse para virem buscar os filhos”, acrescentou o paramédico. “Mas a segunda bomba também atingiu aquela área. Apenas um pequeno número dos que se abrigaram sobreviveu… Alguns pais reconheciam seus filhos apenas pelas pulseiras de ouro que usavam.”
O pai de uma menina morta no segundo ataque à instalação disse ao Middle East Eye que os funcionários da escola “nos pediram para vir o mais rápido possível e levar nossa filha para casa.”
No entanto, quando ele chegou à escola, “Minha menininha estava completamente queimada.”
“Não restava nada dela”, disse ele. “Só conseguimos identificá-la pela mochila da escola, que ela ainda segurava.”
“Quando a via sorrir depois de voltar do trabalho, toda a minha dor desaparecia”, acrescentou o pai. “Agora eu não sei o que fazer com essa dor. Eu não sei como viver com isso.”
À NBC News a mãe de um menino morto no ataque disse que a escola também ligou para ela e pediu para ela buscar o filho rapidamente (os meninos tinham aula em um andar, e as meninas, em outro).
“Quando chegamos, a escola inteira já tinha desmoronado em cima das crianças”, disse ela. “As pessoas estavam puxando braços e pernas de crianças” dos destroços. “Estavam arrancando cabeças decepadas.”
Na quarta-feira, o Middle East Eye publicou uma lista parcial contendo os nomes e idades de 51 crianças — 26 meninos e 25 meninas — um bebê e oito mulheres mortos no ataque à escola.
Milhares de enlutados lotaram as ruas de Minab na terça-feira para os funerais das vítimas do bárbaro e covarde ataque americano-israelense.
“Claramente, os Estados Unidos não mirariam deliberadamente uma escola”, asseverou o secretário de Estado Marco Rubio, entusiasta de guerra e xenófobo de carteirinha.
Desde o final do século XX, os EUA bombardearam — seja deliberadamente ou por meio de uma verificação e identificação inadequadas de alvos, observou o Common Dreams — escolas em países como Vietnã, Laos, Iraque, Afeganistão e Paquistão.
Segundo o portal, o ataque de sábado em Minab “provavelmente será o bombardeio escolar americano mais mortal desde que 182 estudantes, funcionários e outros civis foram massacrados em um ataque secreto aparentemente deliberado a uma escola no Laos — o país mais fortemente já bombardeado — durante a Guerra do Vietnã”.
Quanto a Israel, bombardeou em Gaza escolas de todos os níveis, das creches às universidades.
SANGUEIRA NA PRAÇA NILOOFAR
Além da chacina da escola de Minab, o eixo EUA-Israel perpetrou no domingo à noite no centro de Teerã outro atentado sanguinário na Praça Niloofar, onde as pessoas celebravam o fim do jejum diário do Ramadã.
“De repente, houve barulho e explosão”, disse um sobrevivente, que estava aproveitando a noite em um café antes do atentado, ao Drop Site News. “Levantamos e algumas pessoas fugiram. Viramo-nos para pegar nossos pertences e vimos que o sangue estava espirrando por toda parte. Uma cabeça havia caído no chão.”
“Quando o segundo chegou, de repente tudo explodiu”, acrescentou. “As janelas todas quebradas… Um dos meus amigos, que eu não conheço muito bem, ele estava sentado aqui… Ele foi cortado ao meio. Metade dele foi jogada de lado. Eu o juntei de novo e o coloquei onde estava. Um pedaço do cérebro dele foi jogado aqui no chão.”
Já passam de 1.000 os iranianos mortos durante cinco dias de bombardeios dos EUA e de Israel. “O inimigo está explorando todas as táticas possíveis para causar o máximo de dano ao nosso povo”, disse o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRCS), Mojtaba Khaledi, na terça-feira.
“Imploramos ao público: Não corram para as áreas bombardeadas. Os primeiros momentos após uma explosão são os mais perigosos — algumas munições são programadas para detonar novamente, transformando socorristas e sobreviventes em vítimas adicionais.”
REINCIDENTES NA CARNIFICINA
Alguns dos ataques duplos mais infames dos EUA incluem o atentado à ponte Grdelica em abril de 1999, na Iugoslávia, que ocorreu enquanto um trem de passageiros que viajava de Belgrado, Sérvia, para a Grécia, atravessava, matando mais de 20 pessoas; o ataque de drone em Deir Ezzor, Síria, em março de 2019, que matou dezenas de civis; o ataque de abril de 2025 ao porto de Ras Isa em al-Hudaydah, Iêmen, que massacrou 84 civis; e o atentado em setembro passado a um barco supostamente transportando drogas no Mar do Caribe. Israel realizou muitos ataques duplos em Gaza, incluindo o ataque do último verão ao Hospital Nasser, que matou mais de 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas, e o massacre de julho de 2024 de mais de 90 pessoas em uma suposta “zona segura” em al Mawasi.











