Mesma rede de influenciadores que atacou o BC a soldo do Master serve a bolsonaristas, apura a PF

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação - Banco Master)

Além de Vorcaro, essas páginas defendem Tarcísio, Nikolas e Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal apontou em relatório que a contratação de “páginas de fofoca” para defender o Banco Master e atacar o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal (STF) pode envolver empresas de Daniel Vorcaro e casas de apostas online, as chamadas “bets”. As informações são do ICL Notícias.

As ações podem ser consideradas uma tentativa de atrapalhar as investigações em curso, o que é crime. A PF já abriu um inquérito para investigar o caso.

Em relatório preliminar, a corporação cita o mapeamento de um “ecossistema digital de influenciadores” que fizeram publicações pró-Master.

Nesse mapeamento, “foram identificadas contas relacionadas a pelo menos cinco agências de marketing e três empresas de aposta online”.

Foram citadas, e agora são investigadas, as agências de marketing MiThi, Portal GroupBR, Agência Grupo Farol, Deu Buzz e Mynd8.

Entre as casas de aposta estão a 7GamesBet, de Fernando Oliveira Lima, que é apontado pela PF como “estreitamente ligado” ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e ao cantor Gusttavo Lima.

O cantor sertanejo, por sua vez, aparece como controlador da VaiDeBet, casa de apostas que também teria financiado as ações. Também é citada a ZeroUm.Bet, que possivelmente tem sócios “laranja”.

As casas de apostas, segundo o relatório preliminar da Polícia Federal, ajudaram a financiar as publicações nas redes sociais para defender o Banco Master e figuras de direita, como Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro.

O esquema utilizou uma agência chamada Eleven, que faz a administração de perfis de “fofocas”, como Alfinetei, Futrikei e Otariano, e o agenciamento de influenciadores digitais. A Eleven tem como sócia a Qualimedia – Digital Intelligence.

Entre 28 e 29 de dezembro de 2025, perfis administrados pela Eleven fizeram publicações comentando o caso da liquidação do Banco Master, que foi acusado pelo Banco Central de cometer fraudes fiscais.

As páginas de fofoca, que somam mais de 70 milhões de seguidores, criticaram a “velocidade da liquidação” do Banco Master e atacaram outros órgãos, como a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), por terem defendido a ação.

Também foram atacados nas postagens o diretor de Normas do BC, Renato Gomes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro André Esteves, do banco BTG, que é acusado pelas páginas de ser o “idealizador” do fim do banco concorrente.

O documento ainda cita os empresários Flávio Carneiro e Antônio Carlos Freixo como possíveis pivôs da organização em uma empresa chamada FOONE que tinha Daniel Vorcaro como sócio oculto.

ELOGIOS TARCÍSIO, NIKOLAS E FLÁVIO

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os perfis que estão sendo investigados por defender o Banco Master também fizeram publicações elogiando supostas medidas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em diversas áreas.

Os pagamentos para as publicações favoráveis a Tarcísio de Freitas partiram da empresa Banca Digital, que tem como dono Felipe Filipelli, que é ligado a Lucas Sanchez, filho do ex-presidente do Corinthians e ex-deputado federal Andrés Sanchez.

Essas páginas de fofoca também reverberaram falas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e cobriram a caminhada feita pelo bolsonarista até Brasília para defender os criminosos que tentaram dar um golpe.

A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair, para presidente é outro tema que tem sido comentado pelas páginas.

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