
Manifestação em solidariedade ao povo palestino denunciou os crimes de guerra cometidos por Israel
Milhares de pessoas participaram, na tarde de sábado (4), de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em defesa da Palestina, contra o genocídio cometido por Israel e pedindo cessar-fogo imediato.
No início do ato, um grupo de mulheres usou vendas e levantou sacos brancos com manchas vermelhas, denunciando a morte das mais de 3.500 crianças palestinas causada pelos bombardeios de Israel.
“Salvem as crianças palestinas”, dizia a faixa carregada pelo grupo.

Esse é o terceiro grande ato em São Paulo em repúdio ao genocídio de palestinos. No dia 22 de outubro, quando o número de crianças mortas ainda era de 1.500, pelo menos duas mil pessoas foram à Avenida Paulista se manifestar.
Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) ressaltou a importância das manifestações que estão ocorrendo em todo o mundo em solidariedade ao povo palestino.
“Todas as demografias estão percebendo o primeiro extermínio televisionado da história humana. A primeira defesa aberta de um holocausto ao vivo”.
“Manifestações dessa magnitude serão fundamentais para que nós paralisemos o que estamos vendo na Palestina”, continuou.
A Fepal, junto com outras organizações, levou uma faixa com fotos de crianças que foram mortas pelas bombas de Israel. “Eram apenas crianças”, diz o cartaz.
“Já são mais de 2.100 mulheres e mais de 3.600 crianças inocentes assassinadas pelo estado de Israel nos últimos dias em Gaza”, afirmou ainda o dirigente da Fepal.

Manifestações estão ocorrendo ao longo do dia em todo o planeta.
No Brasil, foram marcados atos em Brasília, Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Maceió (AL), Natal (RN), Recife (PE), Aracaju (SE), Belém (PA) e em diversas outras cidades que não são capitais.
RELIGIOSOS CONTRA O MASSACRE
O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, participou do ato e disse que Israel é “um estado assassino e covarde”.
“Diz que é ‘direito de defesa’. Direito de defesa não é matar, não é ser assassino como estão sendo”, enfatizou.
O católico disse ainda que, “graças a Deus, nem todos os judeus e nem todos os israelitas comungam e apoiam esse governo assassino que mata e destrói o povo palestino”.
Rodrigo Jalloul, sheik do Centro Islâmico da Penha, destacou que “a causa palestina não é islâmica. É uma causa humanitária. A Palestina tem o direito de ser livre”.
“Quem explode hospitais, campos de refugiados, escolas, abrigos da ONU, prédios da imprensa e comboios de ajuda humanitária é o que? É um estado democrático ou um grupo terrorista?”, questionou o religioso.
TRABALHADORES, ESTUDANTES E MOVIMENTOS SOCIAIS
Ubiraci Dantas, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, destacou que “as ruas de países por todo o planeta ficaram lotadas para exigir o imediato cessar-fogo, que pare a carnificina que está sacrificando a vida de mulheres, crianças e idosos na Faixa de Gaza”.
“Queremos Israel fora da Palestina, os povos de todo o planeta vencerão este ataque não só ao povo palestino, mas a toda a Humanidade”.
Bira puxou a palavra-de-ordem de “Palestina Livre!” e foi acompanhado pelos participantes da marcha.
Manuella Mirella, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), denunciou “o massacre que vem acontecendo contra o povo palestino. Quem não se indigna com tantas crianças mortas?”.
“Estamos pedindo cessar-fogo imediato, queremos paz”, falou.
O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES), Lucca Gidra, afirmou que “a humanidade deve se unir como fez para isolar o nazismo de Hitler”.
“A gente precisa juntar todo mundo para isolar Israel e os Estados Unidos. O que está acontecendo ali é fascismo, genocídio aberto, massacre. Não podemos deixar que isso aconteça”.
“Precisamos urgentemente de cessar-fogo, isso é essencial. Qualquer divergência é pequena em relação a isso”, completou o líder estudantil.
O ex-deputado e ex-vereador, Jamil Murad, disse que “o mundo está se levantando” contra o genocídio do povo palestino e que o momento atual é decisivo para consolidar o isolamento de Israel e dos Estados Unidos.
A ex-vereadora de São Paulo e dirigente da União Brasileira de Mulheres (UBM/CMB), Lídia Correia, disse que o que Israel está realizando na Faixa de Gaza é “um genocídio”.
“Os povos de todo o mundo se levantam para manifestar o seu repúdio a essa guerra bárbara que estão promovendo contra o povo da Palestina”, falou.
“Estamos defendendo a vida de mulheres, crianças e idosos. Escolas estão sendo bombardeadas, hospitais estão sendo bombardeados. O povo palestino está sem medicamento, estão fazendo cirurgias sem anestésicos”.
O presidente do Sindicato dos Escritores de São Paulo, Nilson Araújo de Souza, rebateu a argumentação de Israel de que os bombardeios que está fazendo são parte do seu “direito de defesa”. “Que direito de defesa é esse que resulta em genocídio? O que eles estão fazendo é fascismo”.
Socorro Gomes, presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz), disse que o extermínio realizado por Israel é “planejado, metódico e permanente”, que só ocorre por conta do apoio, político e financeiro, dos Estados Unidos.
“Não podemos aceitar. O mundo inteiro está nas ruas na luta contra o apartheid e pelo direito à vida do povo palestino. O povo do mundo inteiro está com os palestinos. Cessar-fogo imediatamente!”.
“Cevado pelos dólares e armas do Império norte-americano Israel perpetra o morticínio de milhares de crianças na Faixa de Gaza, sob as bombas criminosas de Israel”, destacou Nathaniel Braia, secretário do Sindicato dos Escritores de São Paulo.
“Além da dor para as mães palestinas, é uma afronta a toda a Humanidade que, assim como aqui na Paulista e nas ruas do mundo inteiro, está se levantando e vai vencer a ocupação e a limpeza étnica em seu estágio mais degeneradamente avançado perpetrado pelo fascista Netanyahu e o bando de colonos fanáticos que assomaram ao poder em Israel. Vamos lutar pelo cessar-fogo imediato”.
“Esse genocídio, essa ocupação, precisam acabar. Que assuma com plenitude o Estado Palestino. Esse governo de Israel em sua sanha assassina não fala em nome de todos os judeus, pois a maioria quer a convivência pacífica, seja com os palestinos, seja com os árabes e os povos do mundo inteiro”, ressaltou.
Ao final da manifestação, o presidente da Confederação Árabe Palestina da América Latina e Caribe, Emir Murad concedeu entrevista ao HP, afirmando: “Essa marcha foi vitoriosa em todos os aspectos, pois pela massiva presença, quanto pela representatividade, mostra que a solidariedade ao povo palestino não para de crescer e o repúdio à chacina perpetrada por Israel se amplia”.
“Não só no Brasil, como por toda a América Latina, Europa e mesmo nos Estados Unidos, tem aumentado a mobilização”, acrescentou.
“Interessante”, prosseguiu Emir, que “as maiores manifestações ocorrem agora em países cujos governos se colocam como aliados do regime de Israel. Têm sido gigantescos os atos em Londres e Paris, nos Estados Unidos, multidões lotam as ruas de Washington, Nova Iorque, São Francisco, Detroit, Los Angeles e muitas outras cidades”.
Emir destacou ainda que “o Brasil tem papel de liderança na América Latina e se o presidente Lula usar de todos os meios da nossa diplomacia para pressionar Israel a atender ao clamor mundial pelo cessar-fogo, isto será acompanhado por todos os governos latino-americanos, como aconteceu quando o Brasil vanguardeou o continente ao reconhecer o Estado da Palestina”.
Quanto ao cessar-fogo, Emir afirmou que “isso virá com a pressão internacional. Israel não quer o cessar-fogo, quer prosseguir com o massacre, com a limpeza étnica assassina e ensandecida. Os Estados Unidos seguem alimentando Israel, nesse massacre, com dinheiro e armas. A pressão tem que ser mundial para que Washington tenha que sair fora dessa cumplicidade ou venha a pagar um alto preço de desgaste pelo apoio a este morticínio. O povo americano já percebeu isso e está nas ruas”.
