A Mocidade Alegre é a campeã do Carnaval de São Paulo, com 259.8 pontos. A escola do bairro do Limão fez um desfile em homenagem à atriz Léa Garcia, indicada ao prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 1957 por sua atuação no filme Orfeu Negro. A artista morreu em 2023.
Neste ano, a escola homenageou o legado e a trajetória da atriz Léa Garcia com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”. Um dos destaques da escola foi o carro abre-alas, coberto de indumentárias africanas fazendo referência à ancestralidade de Léa Garcia, além de um carro com uma grande quantidade de água, em referência à orixá Oxum, que Lea interpretou no cinema.
A agremiação, que havia terminado em 4º lugar em 2025, levou à avenida um imponente carro abre-alas, com indumentárias africanas que remetiam à ancestralidade da atriz. Outras alegorias fizeram referência ao prêmio Kikito, do Festival de Gramado, e exaltaram deusas negras, incluindo uma representação de Iemanjá que jorrava água.
O encerramento foi desafiador: a escola precisou acelerar o ritmo nos minutos finais para não estourar o tempo, mas conseguiu concluir o desfile dentro do limite, garantindo uma pontuação importante nesta terça-feira.
Em entrevista à TV Globo, o carnavalesco Caio Araújo, que desenvolveu o enredo, mal conseguia falar de emoção. “Eu só posso agradecer a comunidade, eles deram tudo na avenida. Foi uma homenagem linda”, disse.
No próximo sábado (21), a Mocidade Alegre encerra o desfile das Campeãs, que também terá Gaviões da Fiel, Vice-Campeã, Dragões da Real (3ª), Acadêmicos do Tatuapé (4ª) e Barroca Zona Sul (5ª). Completam o desfile a campeã e a vice do Grupo de Acesso 1, Acadêmicos do Tucuruvi e Pérola Negra, e a campeã e a vice do Grupo de Acesso 2, Morro da Casa Verde e X-9 Paulistana.
Nos últimos lugares do Grupo Especial ficaram as escolas de samba Rosas de Ouro e Águia de Ouro, que vão disputar o grupo de acesso em 2027.
O samba-enredo da escola de samba apresentado foi assinado pelos compositores Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Lucas Donato, Marcos Vinícius, Márcio André, Fabian Juarez, Fábio Gonçalves, PH do Cavaco, Salgado Luz, Tomageski, Mingauzinho e Chico Maia.
Confira a letra na íntegra:
Laroyê! Bate três vezes…
Ê mojubá! A Deusa Negra é ela!
A filha de Oxumarê
Que traz no sangue a força da mulher
Pisa forte nesse chão
Afirmando seu lugar
Pra fazer revolução
Seu direito conquistar
Nosso povo entra em cena
A arte nunca pode se render
Ecoa a voz do “Nascimento”
Orfeu sobe o morro pra vencer!
Lerê! Lerê! Lerererere!
Lerê! Lerê! Lerererere!
A guerreira no “Quilombo”
Fez valer o seu papel
Pela luz das yabás
Todo preto vai pro céu!
Consagração, da negritude
Resiste entre tantos personagens
A pele preta é armadura
No palco, expressão de liberdade
Evoé, mulher!
Igual a ti eu nunca vi
Você ainda está aqui
Pra sempre, presente!
É sua coroação
Protagonista no meu pavilhão
Ô! Malunga!
Ô! Malunga ê!
Malunga Léa, arroboboi











