
O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) abriu, nesta quinta-feira (2), procedimento legal para apurar uma denúncia contra o prefeito bolsonarista Divaldo Pereira Lara (PTB). Vereadores do município flagraram mais de 8,5 mil cestas básicas enviadas pelo governo federal, no início do ano, para auxiliar a população durante a estiagem, num estoque municipal.
Ao serem alertados, os parlamentares levaram câmeras ao depósito e constataram o estoque de alimentos no local. A descoberta desencadeou uma série de publicações nas redes sociais. O vereador Lelinho Lopes divulgou um vídeo em que mostra os produtos escondidos num depósito próximo ao Centro da cidade.
Lopes e outros vereadores visitaram o local em 31 de outubro após receberem uma denúncia sobre a suposta retenção dos alimentos destinados à população de Bagé. Na ocasião, os parlamentares defenderam a necessidade da distribuição imediata das cestas básicas, alegando que muitos moradores passam fome.
Pelo antigo Twitter, a deputada estadual Laura Sito (PT-RS) também se manifestou sobre o assunto, afirmando que os vereadores encontraram as cestas básicas estocadas pelo prefeito e que os alimentos haviam sido enviados para ajudar as famílias a enfrentar a estiagem. Ela ressaltou que a retenção das cestas básicas é inaceitável.
“URGENTE: vereadores do PT de Bagé, no Rio Grande do Sul, encontraram 8 mil cestas básicas estocada pelo prefeito bolsonarista. Os alimentos foram enviados faz alguns meses pelo governo do presidente Lula para ajudar as famílias no enfrentamento da estiagem. Bolsonarismo é sinônimo de fome!”, denunciou.
O desvio das cestas foi amplamente criticado por outros usuários da plataforma. “Bolsonarismo mata de fome também”, disse um deles; “No código penal existe artigos para determinar a devida ‘estocagem de longo período’ (sim, plural, pois não fez sozinho), criminosos!”, disse outro. “A fome mata!”, completou. “E iam usar as cestas na próxima eleição. Não falha, no meio de uma atrocidade sempre tem um lambe saco do Bolsonaro”, alertou outro internauta.
A retenção dos estoques de alimentos também foi comentada pelo youtuber Thiago dos Reis, do Plantão Brasil. “BOMBA! Prefeito bolsonarista de Bagé-RS simplesmente ESCONDEU mais de 8 mil cestas básicas doadas pelo governo Lula para as vítimas das enchentes que mataram dezenas de pessoas”.
Lara estava entre os apoiadores de Bolsonaro no aeroporto internacional de Brasília no retorno dele ao Brasil, em março deste ano, após a fuga para Orlando em 31 de dezembro por medo de ser preso. Na ocasião, posou para fotos ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O prefeito de Bagé foi denunciado pelo Ministério Público no ano passado por prática de rachadinhas e se comparou ao ex-presidente (ressalte-se, algo bastante pertinente). “Basta uma análise rápida para constatar a perseguição e a metodologia usada pelos adversários: denunciaram Bolsonaro pelas vacinas, denunciaram o prefeito de Bagé por não vacinar os presidiários antes dos cidadãos que estavam nas ruas e trabalhando”, queixou-se. “Denunciaram Bolsonaro por relação próxima a pastores. Denunciaram Divaldo Lara também pelo mesmo motivo”, prosseguiu.
“Da mesma forma, denunciaram Bolsonaro e seus filhos por prática da rachadinha […] agora surge denúncia de rachadinha (contra ele). Qual o próximo passo? Certamente promover denúncias infundadas por fake News e utilização do gabinete do ódio, tal qual como o presidente”, lamentou o seguidor de Bolsonaro.