“Não fiz nenhum pagamento ao senhor Fábio Luís Lula da Silva, nem recebi orientação para isso”, afirmou a depoente
Em depoimento coagido pela oposição, a secretária apontada como braço administrativo do empresário conhecido como “Careca do INSS” negou, em fala à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, ter efetuado pagamentos a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A oitiva ocorreu em meio a forte embate entre parlamentares da base e da oposição, que disputam a narrativa em torno das suspeitas de irregularidades que envolvem contratos e intermediações no INSS.
“Não fiz nenhum pagamento ao senhor Fábio Luís Lula da Silva, nem recebi orientação para isso”, afirmou a depoente. Segundo ela, a atuação dela restringia-se a tarefas administrativas e operacionais, “sem participação em decisões financeiras estratégicas”.
COAÇÃO DA OPOSIÇÃO
Parlamentares de oposição sustentaram que documentos e movimentações financeiras analisadas pela comissão indicariam vínculos indiretos com empresas ligadas ao filho do presidente Lula (PT).
“Há indícios que precisam ser esclarecidos. A negativa não encerra a investigação”, declarou senador oposicionista integrante da CPMI, frustrado por não conseguir jogar lama no presidente da República.
A defesa da secretária argumentou que não há prova de transferência direta ou indireta e classificou as suspeitas como “tentativa de criar fato político”. “Não existe comprovação de repasse, contrato ou vantagem indevida envolvendo minha cliente e o senhor Fábio Luís”, disse o advogado.
BASE REAGE
Deputados governistas acusaram a oposição de tentar ampliar o alcance político da investigação. “Estão transformando a comissão num palco para atingir o presidente por via transversa”, afirmou parlamentar aliado.
Para esse grupo, a menção a Lulinha faz parte de estratégia de desgaste público, ainda que não haja comprovação material nos autos.
Nos bastidores, integrantes da base avaliam que a insistência na associação ao filho do presidente busca “manter o tema em evidência na arena midiática”, mesmo antes da conclusão técnica das apurações.
O QUE ESTÁ EM JOGO
A CPMI investiga irregularidades em contratos, intermediações e pagamentos relacionados ao INSS. A convocação da secretária ocorreu após a circulação de relatórios preliminares que indicariam fluxos financeiros considerados atípicos.
Especialistas ouvidos pela comissão ressaltam que a caracterização de eventual ilícito depende da comprovação de 3 elementos: origem dos recursos, destino final e nexo causal com ato administrativo específico.
Sem esses vínculos, afirmam, “a suspeita permanece no campo político, não jurídico”.
PRÓXIMOS PASSOS
A comissão deve analisar quebras de sigilo e oitivas complementares nas próximas semanas. Integrantes da oposição defendem aprofundar o rastreamento de movimentações financeiras.
A base governista cobra “responsabilidade e foco técnico” para evitar conclusões precipitadas.
O depoimento não encerra a controvérsia, mas marca momento-chave na investigação. Entre negativas formais, disputa narrativa e pressão política, a CPMI avança sob o peso de expectativas que extrapolam o campo estritamente jurídico. E que podem influenciar o debate público nos próximos meses.











