Para o excelentíssimo ministro Haddad, a economia vai bem, obrigado. Bem para quem, cara pálida?
Para o povo, que vota nas eleições, a coisa está braba. Segundo as pesquisas, o fascismo está nos nossos calcanhares. Se não tomarmos providências, a coisa pode avinagrar (como dizia um veterano companheiro lá nos anos 80). E isso ocorrerá após cinco governos “de esquerda”.
Aliás, após Alexandre de Moraes ter colocado Bolsonaro e seus principais asseclas na cadeia, talvez, se depender “da astúcia” da extrema direita, pode dar para ganhar de novo. Mas, não é garantido.
Quais são os fatos? O agronegócio cresceu 11,7% em 2025. A indústria caiu 3,1% em 2024 e, em 2025, cresceu 0,6%. Ou seja, continuamos caminhando resolutos para a reprimarização da economia. Continuamos caminhando para o abismo da desindustrialização. E sem indústria não existe nação.
No acumulado dos últimos 40 anos, tirando, de lambuja, o período da ditadura militar, os dados são aterradores. Em 1980, nosso PIB era maior que o da China e o da Coreia somados. Hoje é dez vezes menor. A indústria era mais de um terço do PIB, hoje é 1/10.
O Estado nacional está capturado pelo rentismo. E, sem Estado, a vaca vai para o brejo. É preciso libertá-lo, para estar a serviço dos brasileiros.
(Não é suficiente alargar o espaço nacional entre os interesses imperialistas. Ou exigir mais respeito ao algoz).
O Estado, apesar de brasileiro, representa, aqui dentro, os interesses externos. É o Estado quem draga bilhões, através do pagamento de juros e serviço da dívida, e fica sem nenhum para a infraestrutura. Quem garante o déficit zero, para sobrar mais aos bancos, com punição ao governo em caso de desobediência. Quem promove a proteção fiscal para a produção primária e exerce o privilégio ao capital estrangeiro em relação ao nacional. Quem tira direitos dos trabalhadores, quem decreta o salário mínimo indecente, quem corta custeio das entidades sindicais.
Os governos ficam de mãos amarradas. O que é pior: uns mais, outros menos, todos, dos últimos 40 anos, acharam que foi bom.
A indústria sempre brotou, em qualquer época, em qualquer lugar, do investimento público, da proteção do Estado, das estatais enfrentando os monopólios privados, do empréstimo dos bancos estatais a juros baixos. Das compras do Estado às empresas nacionais.
A truculência fascista de Trump abre o espaço para o florescimento da consciência nacional. Não dá para ficar no muro. Será inevitável que o embate das eleições seja o fascismo e a subserviência ao imperialismo americano ou a soberania nacional e a reindustrialização.
Uma mão na roda. Não tem segredo.
CARLOS PEREIRA











