“Votem em Tito Asfura para presidente e parabéns a Juan Orlando Hernández pelo seu futuro indulto”, convocou Trump em sua rede Truth Social. Também narcotraficante, irmão de Hernández está condenado à prisão perpétua.
A menos de 48 horas da eleição em Honduras, o presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira (28) que irá indultar o ex-narcopresidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos EUA no ano passado a 45 anos de cadeia por tráfico de drogas. “JOC”, como é mais conhecido o meliante, é coincidentemente, do mesmo partido de direita cujo candidato ele endossou para presidente de Honduras, Nasry “Tito” Asfura.
Assim, Trump, repetindo o que na eleição de Milei, interveio no pleito em Honduras pressionando os hondurenhos a eleger Asfura e condenando Rixi Moncada, a candidata apoiada pela atual presidente Xiomara Castro, do partido Libre (Liberdade e Reconstrução).
Em sua rede Truth Social, Trump vinculou explicitamente o indulto ao apoio eleitoral ao candidato presidencial Nasry ‘Tito’ Asfura, do Partido Nacional de Honduras. “Votem em Tito Asfura para presidente e parabéns a Juan Orlando Hernández pelo seu futuro indulto”.
Em outra declaração anterior, Trump disse que ele e Asfura poderiam trabalhar juntos “para combater os narcocomunistas e fornecer a ajuda necessária ao povo hondurenho”.
O indulto ao narcopresidente hondurenho soa ainda mais esdrúxulo quando Trump ameaça invadir a Venezuela exatamente sob pretexto de acabar com o narcotráfico e, nas últimas semanas, destruiu com mísseis ou drones 30 embarcações supostamente envolvidas no tráfico, executando extrajudicialmente mais de 30 pessoas no Caribe e na costa do Pacífico, além de ter enviado uma frota encabeçada por um porta-aviões nuclear para chantagear a Venezuela.
E acaba de decretar a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a Venezuela, ameaçando as linhas aéreas para que se afastem.
Hernández se tornou presidente do Congresso hondurenho após o golpe que derrubou o presidente legítimo Manuel Zelaya, sucedeu ao interino Porfírio Lobo e depois governou por dois mandatos, de 2014 a 2022, apesar da constituição proibir a reeleição.
A propósito, no golpe de 2009 ficou indisfarçável o dedo da então secretária de Estado de Obama, Hillary Clinton.
Sob o governo de Hernández, Honduras se tornou o país mais violento do mundo na última década, de acordo com dados das Nações Unidas. Manifestações contra o desvio de verbas da Previdência em 2017 e acusações de vínculos com o narcotráfico levaram-no ao isolamento e à eleição em 2022 da oposicionista Xiomara Castro, mulher do presidente derrubado em 2009.
Embora não faltassem indícios sobre suas ligações com o narcotráfico a situação de Hernández se tornou insustentável quando, em 2018, um de seus irmãos, o ex-congressista Juan Antonio “Tony” Hernández, foi preso em Miami (EUA) por agentes federais, acusado de tráfico de drogas e afinal condenado em 2021 à prisão perpétua.
Em seu segundo – e irregular – mandato, JOH rompeu com um mecanismo anticorrupção promovido sob os auspícios da OEA e de Washington. Após sua derrota nas eleições de 2022, ele teve sua extradição aos EUA aprovada pelo congresso hondurenho.
500 TONELADAS DE COCAÍNA
De acordo com a BBC, durante a investigação, os procuradores norte-americanos descobriram que Hernández tinha ligações com traficantes de drogas pelo menos desde 2004, muito antes de se tornar presidente, e que facilitou o contrabando de cerca de 500 toneladas de cocaína para os EUA.
Com a ajuda de registros telefônicos e depoimentos de criminosos arrependidos, os investigadores concluíram que traficantes de drogas lhe pagaram milhões de dólares em subornos para permitir o contrabando de cocaína da Colômbia e da Venezuela “com virtual impunidade”.
Segundo a acusação, Hernández o político usou o dinheiro obtido com traficantes de drogas para subornar funcionários e manipular a seu favor as duas eleições presidenciais em que concorreu.
Outro réu, o ex-prefeito Alexander Ardón, afirmou ter entregado milhões de dólares tanto a Hernández quanto ao ex-presidente Lobo para garantir rotas desimpedidas para o tráfico de drogas.
PRISÃO PERPÉTUA PARA O IRMÃO
Ardón estimou que, com a ajuda das autoridades hondurenhas, movimentou cerca de 250 toneladas de cocaína sem problemas, em parceria com Tony Hernández, irmão do ex-presidente, e Joaquín “El Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa, ambos condenados à prisão perpétua nos EUA.
Em junho de 2024, o juiz Kevin Castel não só condenou o ex-presidente a passar quase meio século na prisão, como também lhe impôs uma multa de 8 milhões de dólares americanos. Mas os problemas legais de Hernández não se limitam aos Estados Unidos. Em Honduras, logo após sua extradição, o sistema judiciário hondurenho confiscou 33 propriedades, oito empresas e 16 veículos, informou o Ministério Público.











