“Não vejo como aceitar convite de Trump”, diz Amorim

Celso Amorim, assessor de Lula e ex-ministro das relações Exteriores e da Defesa (Foto: Evaristo Sá - AFP)

“Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança”, avalia o assessor de Lula para Assuntos Internacionais, sobre o “conselho” de Donald Trump

O ex-chanceler e assessor especial de Lula, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não deve aderir ao “Conselho” criado por Donald Trump porque representa “uma revogação da ONU”.

O grupo foi criado por Donald Trump para, supostamente, supervisionar o território da Faixa de Gaza e estabelecer a “paz” na região que Israel destruiu com apoio militar dos EUA, assassinando mais de 68 mil palestinos.

No entanto, como destaca Amorim ao Sputnik Brasil, “a palavra ‘Gaza’ não aparece nesse estatuto” apresentado por Trump. “Ele se refere a qualquer conflito. Isso está dito claramente”.

“A própria carta [de criação do grupo] é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo. Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país”, continuou o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil.

“Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente. Até agora, os países europeus não aceitaram”, indicou.

Outro problema apresentado por Celso Amorim é que Donald Trump já anunciou que “não aceita emendas” nos documentos de criação do Conselho. 

“Não é possível discutir, ajustar aqui ou ali. É um contrato de adesão. Isso torna essa parte difícil. Se fosse possível separar as duas coisas, aí vamos ver. Mesmo assim, não é automático. É preciso conversar, ver se isso interessa aos próprios palestinos e a outros países”, argumentou.

A avaliação de lideranças de outros países é de que Donald Trump está tentando esvaziar de poder e representatividade a Organização das Nações Unidas (ONU) para impor sua ditadura contra o mundo.

O ministério das Relações Exteriores da China afirmou, por meio de sua porta-voz, que “não importa como a situação internacional evolua, a China defenderá firmemente o sistema internacional com a ONU em seu núcleo, a ordem internacional sustentada pelo direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais com base nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

Já a França assinalou que “a carta deste ‘Conselho da Paz’ vai além do âmbito de Gaza e, portanto, além do plano de paz que foi aprovado pelas Nações Unidas. E porque a Carta, na sua redação atual, é de fato incompatível com os compromissos internacionais da França e, em particular, com a sua adesão às Nações Unidas, que obviamente não pode ser posta em causa em circunstância alguma”.

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