A categoria dos caminhoneiros decidiu, em assembleia nesta quinta-feira (19), suspender a possibilidade de uma greve e abrir negociação com o governo federal em meio à pressão crescente sobre os custos do transporte, especialmente devido à alta do diesel. O movimento, que vinha sendo debatido nas últimas semanas, foi suspenso após o anúncio de medidas por parte do governo e a sinalização de diálogo direto com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, com reunião marcada para o próximo dia 26.
A insatisfação dos caminhoneiros ocorre em meio às pressões externas sobre o preço dos combustíveis, intensificadas com a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. No Brasil, esse efeito é amplificado pela política de paridade internacional adotada pela Petrobrás, que ajusta os preços dos combustíveis com base no dólar, transferindo as altas de preço para o mercado interno.
Diante desse cenário, lideranças da categoria passaram a pressionar por medidas que aliviem os custos da atividade. Entre as principais reivindicações está o cumprimento efetivo do piso mínimo do frete, frequentemente desrespeitado por empresas contratantes, o que agrava ainda mais a situação dos caminhoneiros em períodos de alta no diesel.
Como resposta, o governo anunciou o endurecimento da fiscalização sobre o cumprimento da tabela de fretes, com previsão de punições mais rigorosas para empresas que pagarem abaixo do valor mínimo estabelecido. Também foram anunciadas ações para coibir preços abusivos dos combustíveis nos postos.
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Nesse contexto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) orientou os caminhoneiros a suspenderem a greve e priorizarem a negociação. A entidade defendeu que, diante das medidas apresentadas e da abertura de diálogo com o governo, o caminho mais estratégico seria aguardar os desdobramentos das conversas antes de qualquer paralisação.
Em participação no Programa Alô Alô Brasil, na manhã desta sexta (20), Boulos abordou a questão da greve, afirmando que “nós negociamos de maneira muito, mas muito insistente e respeitosa com os caminhoneiros do Brasil. Ontem teve assembleia no Porto dos Santos. Nós estamos conversando há dias com esses caminhoneiros, colocando que uma paralisação neste momento não ajudaria a impedir o problema. E por isso eles deram esse voto de confiança”.
“Parabenizo todas as lideranças de caminhoneiros pela maturidade, responsabilidade e coerência neste momento, evitando uma paralisação em um cenário de turbulência global, com reflexos de guerra. Uma paralisação agora traria impactos para diversos setores e para a economia nacional”, avaliou também o presidente da CNTTL, Paulinho do Transporte.











