O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o governo israelense de Netanyahu “busca infligir o mesmo nível de danos e destruição” ao Líbano que causou na Faixa de Gaza, enquanto seu exército continua os ataques em todo o país vizinho, em meio a planos de ocupar o sul da região.
Já o ministro da ‘Defesa’ de Israel, o ensandecido Israel Katz, declarou que as forças armadas israelenses estavam “seguindo o modelo de Rafah e Beit Hanoon”, no Líbano, duas cidades em Gaza que foram arrasadas durante a guerra genocida contra o território palestino.
E o ministro das Finanças de extrema-direita de Israel, o fascista Bezalel Smotrich, foi ainda mais longe na segunda-feira (23), ao pedir a anexação oficial do sul do Líbano por Israel, afirmando que uma “mudança das fronteiras de Israel” era necessária.
GUERRA DOS EUA E ISRAEL “MINA O DIREITO INTERNACIONAL”
Durante um discurso perante o Congresso espanhol, Sánchez argumentou que a guerra em curso levada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã busca “minar o direito internacional, desestabilizar o Oriente Médio e enterrar Gaza sob os escombros do esquecimento”. Ele também alertou que o conflito poderia levar a um cenário “muito pior” do que a Guerra do Iraque de 2003.
“Este cenário não se compara à guerra ilegal no Iraque. Estamos enfrentando algo muito pior. Muito pior mesmo. Com um impacto potencial muito mais amplo e profundo”, ressaltou ele ao parlamento.
Nesse contexto, Sánchez criticou o então primeiro-ministro espanhol José María Aznar por ter apoiado aquela guerra e alertou que “o mesmo erro não deve ser repetido”.
O espanhol foi um dos poucos líderes na Europa a condenar o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, descrevendo-o como “injustificável”.
Ele também rejeitou os argumentos dos Estados Unidos em relação ao programa nuclear iraniano, afirmando que não há nenhuma ameaça imediata, e questionou a decisão de Washington e Tel Aviv de avançar militarmente na região.
Sanchez classificou a agressão como “um desastre total” e declarou que ela já causou milhares de mortes, deslocou milhões de pessoas e teve um grave impacto econômico, tanto globalmente quanto na Espanha, onde — segundo ele — as empresas perderam mais de 100 bilhões de euros em um único mês.
ESPANHA CONTRA GUERRA GENOCIDA A GAZA
A Espanha também tem sido uma das poucas nações europeias a condenar consistentemente e a tomar medidas contra a guerra genocida em curso de Israel contra Gaza. Mais de 72.000 palestinos foram mortos e vastas áreas de Gaza foram reduzidas a escombros em ataques israelenses desde 7 de outubro de 2023. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025, Israel matou mais de 800 palestinos em violações quase diárias da trégua mediada por seu amigo Trump.
Em outubro passado, o parlamento espanhol aprovou a consagração em lei de um embargo total de armas a Israel, proibindo permanentemente a venda de armas, tecnologia de dupla utilização e equipamentos militares em resposta ao genocídio.
No início deste mês, o governo da Espanha anunciou, com base na proposta do Ministério das Relações Exteriores, o encerramento do mandato de Ana Maria Sálomon Perez como embaixadora do país no Estado de Israel, em meio à escalada da ação militar da coalizão genocida israelense-norte-americana contra o Irã.











