O grande 1° de abril: Trump diz que ganhou a guerra

"Objetivos atingidos". diz o Pinóquio da Casa Branca (Redes Sociais)

Em um discurso que passará à história como o do 1º de abril, Trump, em horário nobre, anunciou pela tevê que ganhou a guerra contra o Irã e que seus “objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos”, uma mentira atrás da outra

Com a subida dos preços arrochando os norte-americanos, prometeu que o preço da gasolina irá em algum momento baixar…

“Conseguimos tudo”, prosseguiu, “a Marinha deles foi destruída. A Força Aérea deles foi destruída. Seus mísseis estão praticamente esgotados ou destruídos. Juntas, essas ações irão enfraquecer as forças armadas do Irã, esmagar sua capacidade de apoiar grupos terroristas e impedi-los de construir uma bomba nuclear. Nossas forças armadas têm sido extraordinárias”, proferiu.

Pela reação das bolsas de valores, que abriram a manhã de quinta-feira desabando, a peroração não foi muito convincente. O Irã, logo após o discurso, saudou os fascistas israelenses e os imperialistas norte-americanos entocados no Oriente Médio com nova rodada de saraivada de mísseis pesados e drones.

Foi sua primeira declaração oficial sobre a guerra, com as demais quase inteiramente postadas pela sua plataforma Truth Social, mas se conseguirá virar a maré depois de oito milhões nas ruas contra a guerra, contra sua ditadura e contra a alta da gasolina, fica para ser visto em novembro.

De acordo com a última pesquisa Reuters-Ipsos, 66% dos americanos querem o fim da guerra rapidamente, mesmo que os tais “objetivos” não sejam atingidos. Os eleitores independentes, sem os quais Trump perde o controle do Congresso, estão majoritariamente contra a guerra e até uma parte expressiva do movimento MAGA está contra.

Também seus índices de aprovação despencaram para 36% – uma queda de 11 pontos em relação à posse -, o que é emblemático da percepção, entre os que votaram nele, do estelionato eleitoral que Trump cometeu ao ter, como uma das bandeiras centrais à presidência, prometido “acabar com as guerras eternas” dos EUA.

Horas antes do discurso, Trump fora à Suprema Corte tentar pressioná-la para a cassação do direito de cidadania por nascimento, e seu procurador-geral John Sauer ficou nas cordas, inclusive apanhando de juízes indicados por Trump. Teve de demitir a “Barbie do ICE” e sua gestapo anti-imigração continua sem dotação orçamentária. O ICE foi expulso de Minneapolis pela mobilização popular.

O preço da gasolina subiu 35% em um mês da guerra de escolha de Trump, isso no país que ele descreveu como “produzindo mais petróleo que a Rússia e a Arábia Saudita juntas” e que não depende do petróleo do Oriente Médio – quatro dólares o galão na bomba dos postos de combustíveis, na média nacional. Na Califórnia, já passa de 5 dólares.

Sobre o Estreito de Ormuz o pinóquio da Casa Branca foi bastante enfético: desistiu de lutar.

Deixou a reabertura da passagem por conta dos que, segundo ele, mais precisam do petróleo que por lá passa.

Quanto à descrição que fez de suas “extraordinárias forças armadas” não bate com o maior porta-aviões do planeta expulso do Golfo Pérsico, depois do que foi descrito como 30 horas de “incêndio na lavanderia”, ancorado em Creta e já diagnosticado como fora de combate por pelo menos um ano, para reparos.

Ou com as bases norte-americanas no Golfo destroçadas – e abandonadas – enquanto os soldados se escondem em hotéis, usando os árabes como escudos humanos. Ou com 80% dos radares estratégicos destruídos. As imagens do avião-radar estraçalhado na pista de uma base aérea na Arábia Saudita ou do F-15 em queda livre.

Ele também tentou driblar a exigência popular nos EUA – e da maioria dos povos – pelo imediato fim da carnificina no Irã, prometendo que serão mais “duas ou três semanas”.

No discurso, Trump também passou recibo do seu isolamento, ao vituperar a recusa dos países europeus em segui-lo em sua – e do parceiro de crimes Netanyahu – agressão ao Irã.

Contra toda as advertências dos especialistas e de organismos internacionais, Trump previu no discurso que rapidamente tudo voltará ao normal no comércio de petróleo, gás, fertilizantes e gás hélio, enquanto a Organização Internacional de Energia adverte que se está vivendo um choque da falta de petróleo “maior do que os dois anteriores (1973 e 1979) somados” – que, aliás, precederam as pesadas recessões mundiais de 1974 e 1980.

E quando Trump promete destruir as instalações energéticas do Irã nas “duas ou três semanas” vindouras, está também encomendando a destruição de instalações similares – e ligadas aos interesses norte-americanos – pelo revide iraniano nos países do Golfo, com as repercussões disso na produção nos anos vindouros.

 No discurso, Trump também prometeu “bombardear o Irã de volta à Idade da Pedra”, uma reiteração de sua guerra de agressão e da violação dos princípios basilares do Tribunal de Nuremberg, que julgou os principais chefes sobreviventes nazistas.

O que, para ele, possivelmente é só ele exercendo sua “moralidade” – de que o massacre da escola de Minab se tornou símbolo.

Também é evidente para todos que a resistência iraniana surpreendeu Trump, Netanyahu e toda a corja de nazistas e puxa-sacos que o cercam – de que a transformação em peneira do afamado Domo de Ferro é um dos fatos mais notórios.

Pelo menos nesse discurso, Trump pôs de lado suas ameaças de assaltar com tropas terrestres a ilha de Kharg, no Estreito de Ormuz (e de colocá-las na condição de tiro ao pato para as defesas costeiras iranianas, uma missão suicida, como até mesmo seu ex-chefe antiterrorista, Joseph Kent, alertou). O que pode mudar rapidamente, em se tratando de Trump, dependendo dos riscos em jogo na volátil Wall Street e dos distúrbios no mercado de títulos do Tesouro norte-americano.

Trump também asseverou que a “mudança de regime” já ocorreu, graças à decapitação – outro crime de guerra com C maísculo -, embora o Irã tenha eleito o filho de Ali Khamenei, Mojtaba, como novo líder supremo da revolução iraniana.

No discurso, Trump não tocou diretamente numa questão que abriu em entrevista ao Financial Times, de que quer “pegar o petróleo iraniano” – o sonho molhado, como dizem os americanos, desde o tempo em que o ex-chefe da Otan na Europa, foi informado no Pentágono de que a ideia era dominar sete países muçulmanos ricos em petróleo, o último deles, o Irã, que tem se mostrado um osso duro demais para os carniceiros ianques e seus cúmplices.

No discurso, Trump se gabou de já ter empalmado o petróleo da Venezuela, evidenciando sua tentativa de salvar o status de moeda de reserva do petrodólar, sem o qual o império não se sustenta, através da monopolização armada do comércio de petróleo no mundo, no empenho de manter uma hegemonia cada vez mais frágil e isolada.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *